Cornetas da Idade do Cobre revelam uso ritual de lâmpadas em comunidades pré-históricas na Jordânia
As chamadas "cornetas" calcolíticas encontradas entre 1929 e 1999 em Teleilat Ghassul, na atual Jordânia, foram analisadas em novo estudo

A primeira análise sistemática das chamadas “cornetas” calcolíticas encontradas em Teleilat Ghassul, na atual Jordânia, foi apresentada recentemente em estudo. Esses pequenos vasos cerâmicos em forma de cone surgem apenas no período Calcolítico e não aparecem antes nem depois na tradição cerâmica regional. A pesquisa investigou como eram produzidos, quais matérias-primas utilizavam, para que serviam e como eram descartados.
As cornetas também foram identificadas em outros sítios, como Ashkelon, En Gedi, Abu Hof e Grar, muitas vezes em grandes quantidades e associadas a áreas interpretadas como espaços cultuais. Em locais como Safadi, Abu Matar e Shiqmim, porém, elas são raras ou inexistentes. Geralmente possuem engobe claro ou avermelhado e, às vezes, pequenos cabos laterais, variando em forma e acabamento.
Material analisado
O estudo concentrou-se no conjunto escavado pelo Instituto Pontifício Bíblico entre 1929 e 1999, que inclui 35 vasos completos e cerca de 550 fragmentos. Segundo informações do portal Archaeology News, análises visuais, varredura 3D e estudos petrográficos indicaram que a maioria foi feita com argila local, sugerindo produção no próprio assentamento. Experimentos mostraram que cada peça podia ser moldada em cerca de dez minutos a partir de um único bloco de argila, com técnicas simples, o que indica que não exigiam grande especialização.
Quanto à função, hipóteses anteriores sugeriam uso no processamento de laticínios, na metalurgia do cobre ou como lâmpadas. O novo estudo reforça esta última possibilidade. Vestígios de fuligem foram identificados em alguns exemplares, e testes com réplicas preenchidas com cera de abelha mostraram que podiam queimar por até nove horas, produzindo luz estável.
Contextos rituais
Em Teleilat Ghassul, famoso por suas pinturas murais com procissões e figuras mascaradas, as cornetas foram encontradas em contextos rituais, muitas vezes com sinais de quebra intencional. Os dados indicam que serviam como lâmpadas cerimoniais, possivelmente usadas em rituais noturnos e depois deliberadamente destruídas.
A pesquisa sugere, assim, que esses objetos não eram utensílios domésticos comuns nem itens de prestígio altamente padronizados, mas artefatos produzidos localmente para uso coletivo em eventos religiosos. O estudo ajuda a compreender melhor como comunidades calcolíticas organizavam cerimônias e administravam recursos como a cera de abelha.