França tem mais mortes que nascimentos pela 1ª vez desde a Segunda Guerra Mundial
Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, o saldo de nascimentos na França foi negativo, conforme dados divulgados nesta terça-feira, 13

De acordo com dados divulgados nesta terça-feira, 13, pelo instituto nacional de estatística Insee, a França registrou mais óbitos do que nascimentos em 2025, marco atingido pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Atualmente, o país conta com uma população total de 69,1 milhões de habitantes. Ainda que exista um saldo negativo entre nascimentos e mortes, houve um crescimento populacional sutil de 0,25%, impulsionado exclusivamente pelo fluxo migratório, que injetou 176 mil novas pessoas no país. Vale notar que, sem esse fator externo, a população francesa teria encolhido pela primeira vez em décadas.
Déficit natural
Segundo informações repercutidas pelo O Globo, quanto ao chamado crescimento vegetativo, o índice ficou negativo em 6 mil pessoas. Essa retração foi motivada pela queda acentuada nos nascimentos, visto que apenas 645 mil bebês nasceram em 2025, o menor patamar desde a década de 40. Somado a isso, em comparação ao ano de 2010, a redução no número de partos já chega a 24%, o que acendeu um alerta nas autoridades de saúde e planejamento.
Em contrapartida, pelo lado das fatalidades, o Insee contabilizou 651 mil mortes, uma alta de 1,5% em um ano. Conforme explicam os especialistas, o envelhecimento natural da geração “baby boomer” e surtos severos de gripe no inverno contribuíram para elevar a taxa de mortalidade. Diante desse cenário, o país agora enfrenta o desafio de sustentar um sistema previdenciário com uma base de jovens cada vez menor.
Fatores sociais
Apesar da queda na taxa de fecundidade para 1,56 filho por mulher, a França ainda mantém um dos índices mais altos da União Europeia, superada recentemente pela Bulgária. Contudo, o recuo é visto como um reflexo de mudanças estruturais na sociedade.
De acordo com analistas, a dificuldade de inserção de jovens no mercado de trabalho e o alto custo dos imóveis urbanos têm adiado o desejo da maternidade. Além desses pontos, a crescente eco-ansiedade e as incertezas sobre o futuro climático aparecem como novos fatores que pesam na decisão das famílias francesas de não expandir o núcleo familiar.