Finlândia lidera ranking de felicidade global pelo nono ano consecutivo
Relatório Mundial da Felicidade de 2026 mantém a Finlândia no topo pelo 9º ano consecutivo, e aponta impactos do uso de redes sociais no bem-estar

A Finlândia foi apontada como o país mais feliz do mundo pelo nono ano consecutivo, segundo o Relatório Mundial da Felicidade de 2026, índice anual que mede o bem-estar global com base em dados coletados em mais de 140 países. O país escandinavo alcançou nota 7,764 em uma escala de 0 a 10, seguido por Islândia, Dinamarca, Costa Rica e Suécia.
O levantamento avalia a percepção de qualidade de vida a partir de respostas individuais sobre temas como generosidade, corrupção e expectativa de vida saudável. Também considera emoções relatadas no dia anterior — como alegria, interesse, preocupação e raiva — além de comportamentos como doações, trabalho voluntário e ajuda a desconhecidos, segundo a Smithsonian Magazine.
Um dos elementos centrais do relatório é a chamada Escala de Cantril, baseada em uma pergunta única feita a cerca de mil pessoas por país: “Imagine uma escada com degraus numerados de zero na base a dez no topo. O topo da escada representa a melhor vida possível para você e a base da escada representa a pior vida possível para você. Em qual degrau da escada você diria que se encontra neste momento?” As respostas são calculadas a partir da média dos últimos três anos.
Para especialistas, fatores culturais e institucionais ajudam a explicar o desempenho finlandês. “Essa mistura de resiliência, determinação e força interior, nos ajuda a enfrentar os desafios da vida, desde invernos longos e escuros até crises econômicas”, afirma Miika Mäkitalo, CEO da empresa HappyOrNot. “Isso vem da certeza de que o apoio está disponível quando necessário, seja por meio de nossas sólidas políticas sociais, como licença parental compartilhada generosa e educação universitária gratuita, ou pelo direito de todos de percorrer florestas e recarregar as energias na natureza.”
A Costa Rica foi um dos destaques do ranking ao subir 19 posições desde 2022 e se tornar o primeiro país latino-americano a figurar entre os cinco primeiros colocados. Já os Estados Unidos aparecem na 23ª posição, e o Brasil na 32ª posição.
Impactos das redes sociais
Além da classificação geral, o relatório deste ano enfatiza os impactos das redes sociais no bem-estar, especialmente entre jovens. Os dados indicam que adolescentes que utilizam essas plataformas por menos de uma hora por dia apresentam níveis mais altos de satisfação, enquanto aqueles que passam mais de sete horas conectados registram índices significativamente menores em 47 países analisados.
“As evidências globais deixam claro que a relação entre o uso das redes sociais e o nosso bem-estar depende muito das plataformas que usamos, de quem as usa e como, além da duração do uso”, afirma Jan-Emmanuel De Neve, economista de Oxford e editor do relatório, em comunicado. “O uso intenso está associado a um bem-estar muito menor, mas aqueles que se afastam deliberadamente das redes sociais também parecem estar perdendo alguns efeitos positivos.”
Apesar de, em termos gerais, os jovens atuais serem mais felizes do que há duas décadas, o relatório aponta queda recente nas pontuações de pessoas com menos de 25 anos em países como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Austrália. Este também é o segundo ano consecutivo em que nenhum país de língua inglesa aparece entre os dez primeiros colocados.
Para a jornalista Laura Hall, fatores sociais mais amplos ajudam a compreender o conceito de felicidade adotado pelo estudo. “Não se trata de exibir um grande sorriso e dar risada”, disse à BBC. “Trata-se, na verdade, de confiança na sociedade, confiança mútua e da crença de que todos estão trabalhando juntos para o bem comum.”
Na mesma linha, o economista John F. Helliwell, um dos editores fundadores do relatório, destaca a importância de abordagens equilibradas. “Quando se trata de felicidade, construir o que há de bom na vida é mais importante do que encontrar e corrigir o que há de ruim”, afirma. “Ambas as coisas precisam ser feitas, agora mais do que nunca.”
Produzido em parceria entre a Gallup, o Centro de Pesquisa sobre Bem-Estar de Oxford e a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o relatório é publicado em seu formato atual desde 2012. Segundo Julie Ray, editora-chefe da Gallup, o apoio social continua sendo um fator determinante para explicar diferenças entre países e faixas etárias. “O apoio social é um dos indicadores mais fortes de bem-estar, e pesquisas anteriores mostram que, em alguns países, os mais jovens relatam sentir-se menos apoiados, o que pode ajudar a explicar esse padrão”, disse.