Pinturas rupestres ocultas são reveladas em sítio arqueológico na Finlândia
Tecnologias modernas de imagem revelam pinturas rupestres escondidas no sítio arqueológico de Astuvansalmi, na Finlândia; confira!

O sítio arqueológico de Astuvansalmi, localizado em Ristiina, na Finlândia, abriga a maior coleção conhecida de pinturas rupestres pré-históricas dos países nórdicos. Com cerca de 5.000 anos de idade, aproximadamente 80 motivos representando animais, humanos e figuras abstratas foram encontrados nas falésias que se voltam para o Lago Yövesi. E agora, pesquisadores da Universidade da Finlândia Oriental estão aplicando tecnologias avançadas de imagem e inteligência artificial para desvendar obras que podem ainda estar ocultas sob a superfície.
Este projeto inovador combina disciplinas como arqueologia, ciência da computação e análise de imagens, permitindo documentar o sítio arqueológico com um nível de detalhe sem precedentes. Utilizando câmeras hiperespectrais, os cientistas conseguem identificar diferenças sutis na composição dos pigmentos que não são visíveis a olho nu. Imagens de alta resolução possibilitam a diferenciação entre diversas tonalidades de ocre vermelho e a determinação de possíveis variações nas misturas de tinta utilizadas pelos artistas ao longo do tempo.
A totalidade da face rochosa está sendo digitalmente registrada por meio de fotografia panorâmica GigaPan, um sistema de escaneamento com três câmeras e um scanner 3D Matterport. Locais de difícil acesso são fotografados com câmeras hiperespectrais e sistemas especiais, enquanto imagens aéreas são capturadas quando as condições climáticas permitem. Todos os dados coletados são enviados para um servidor em nuvem, criando uma réplica digital precisa das pinturas. Essa cópia digital facilita a análise e preservação da arte frágil, que resistiu ao passar do tempo e às condições ambientais adversas.
Os pesquisadores também estão reconstruindo a paisagem antiga utilizando tecnologia de jogos. O nível da água do Lago Saimaa era mais alto há milhares de anos; portanto, os artistas pré-históricos provavelmente realizavam suas pinturas enquanto estavam sobre o gelo ou em barcos. A virtualização do nível da água em seu estado original permite que os cientistas visualizem o ambiente da época e identifiquem novas áreas onde pinturas rupestres ainda possam ser descobertas.
Considerando que os pigmentos não contêm material orgânico datável, os pesquisadores têm replicado misturas experimentais de tinta — como ocre misturado com gordura, clara de ovo ou sangue — para investigar como as emulsões antigas se comportavam e envelheciam. Esses experimentos possibilitam a interpretação das técnicas de composição e aplicação da pintura pré-histórica sem causar danos à obra original, informam os pesquisadores em comunicado da Universidade da Finlândia Oriental.
Novas tecnologias de pesquisa
A inteligência artificial está sendo cada vez mais utilizada para detectar motivos tênues e formas recorrentes escondidas pela erosão. Redes neurais têm potencial para reconhecer padrões semelhantes aos encontrados em outros sítios de arte rupestre no norte, como Alta ou Murmansk. Isso pode auxiliar na identificação de ligações estilísticas entre regiões; no entanto, os cientistas estão adotando uma postura cautelosa: modelos de IA treinados com conjuntos de dados não relacionados podem levar a interpretações errôneas sobre diferenças culturais ou cronológicas.
Além das descobertas, a preservação digital torna a arte de Astuvansalmi acessível ao público em geral. Aplicativos de realidade virtual agora permitem que visitantes de museus explorem reconstruções em 3D dos ambientes das pinturas rupestres, visualizando as obras como teriam sido vistas milênios atrás, repercute o Archaeology News.