Filhos de socorristas que atuaram no 11 de setembro sofrem com impactos psicológicos da tragédia
Novo estudo sugere que filhos de pessoas que atuaram nos resgates de 11 de setembro de 2001 sofrem de impactos psicológicos que atravessaram gerações

Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York e da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, revelou que as famílias dos socorristas que atuaram nos resgates do 11 de setembro continuam sentindo os impactos psicológicos da tragédia mais de duas décadas após os ataques. Os efeitos, segundo a pesquisa, alcançam inclusive os filhos dos trabalhadores que participaram das operações no local do World Trade Center.
Publicado em 27 de maio na revista PLOS Mental Health, o estudo reforça a hipótese de que traumas extremos podem atravessar gerações. Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram 176 socorristas diagnosticados com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) após os atentados de 2001 e 270 de seus filhos já adultos.
A amostra incluiu tanto socorristas tradicionais, como policiais e bombeiros, quanto trabalhadores civis envolvidos nas atividades de recuperação e limpeza dos escombros, entre eles profissionais dos setores de construção, saneamento e serviços públicos. Pais e filhos responderam questionários sobre depressão, ansiedade, transtorno do pânico, consumo de álcool e histórico familiar de saúde mental.
Segundo informações do portal Galileu, os resultados mostraram que filhos de socorristas com sintomas mais severos de TEPT e outros problemas psicológicos relacionados ao 11 de setembro apresentavam piores indicadores de saúde mental. Isso quer dizer que o convívio prolongado com pais traumatizados pode gerar impactos emocionais duradouros.
Dados preocupantes
O estudo constatou que mais de 20% dos filhos adultos avaliados preencheram critérios de triagem para depressão, enquanto que mais de um quarto apresentou sinais de transtorno de ansiedade. É preciso destacar, no entanto, que esses resultados se baseiam em instrumentos de triagem psicológica, e não em diagnósticos clínicos formais. Os pesquisadores apontaram também que o transtorno por uso de álcool era significativamente mais frequente entre os filhos do que entre os próprios socorristas.
A pesquisa destacou ainda que o grau de exposição dos pais ao atentado influenciou diretamente os resultados observados nos filhos. Aqueles que passaram mais tempo na área dos ataques ou tiveram contato com restos mortais apresentaram maior probabilidade de ter filhos com sintomas de TEPT, ansiedade e transtorno do pânico. Além disso, socorristas que ainda convivem com o TEPT demonstraram maior chance de ter filhos com sintomas relacionados ao transtorno, além de depressão e pânico.
Outro ponto destacado pelo estudo é que relações familiares marcadas por conflitos e baixo nível de afeto estavam associadas a índices mais elevados de depressão, TEPT e problemas relacionados ao consumo de álcool entre os descendentes.
Diferenças entre os grupos analisados também foram identificadas. Entre os filhos de trabalhadores civis de resgate e limpeza, a atuação dos pais no local dos escombros esteve associada a um risco mais elevado de ansiedade. Já entre as famílias de policiais, vínculos familiares mais frágeis foram relacionados a maiores índices de problemas envolvendo o consumo de álcool.