Ex-cantora de ópera faz procedimento experimental e volta a escutar
Ex-cantora de ópera se submeteu a um implante coclear bilateral, um procedimento que, embora incomum em adultos, pode revelar novos caminhos para a saúde

Após mais de três décadas de trabalho com a voz, Janine Roebuck, ex-cantora de ópera, se aposentou e acusou a perda progressiva da audição ao longo da vida. A mezzo-soprano, hoje com mais de 70 anos, se submeteu à um procedimento experimental em adultos, o qual pode abrir novos horizontes para a audição.
A decisão de fazer um segundo implante coclear trouxe um relato muito poderoso que pode alterar as escolhas da medicina auditiva em adultos. Conforme a cantora, o implante coclear bilateral, comum apenas em crianças, é “anos-luz melhor do que apenas um”.
A implementação
Conforme a entrevista dada pela artista à BBC News, a escolha de colocar um segundo dispositivo trouxe mais clareza, nitidez e profundidade na audição. Porém, é necessário entender que no Reino Unido esse procedimento não é comum em adultos.
Na verdade, os adultos, no padrão estabelecido pelo sistema público de saúde, possuem apenas um implante coclear. No entanto, após receber um dos implantes do governo, Roebuck comprou e implantou o segundo por conta própria.
Dessa forma, a ex-cantora pôde dar um parecer direto e demonstrar a importância de um segundo implante no sistema público. Acontece que até então só era oferecido um implante por ser mais econômico e ter um custo-benefício maior. Segundo o órgão nacional de avaliação de tecnologias de saúde do Reino Unido, o custo alto e a falta de evidências robustas eram os grandes impeditivos para a adoção generalizada do modelo bilateral.
Segundo o relato da meio soprano, apesar do procedimento ser experimental em adultos, ele “foi a melhor coisa que já fez na vida”. Conforme a revista Galileu, ela declarou:
Com os implantes bilaterais, já não me considero surda. Eles mudaram completamente a minha vida e, para mim, quebraram uma maldição geracional.”
O aparelho no cotidiano
Em suma, o pequeno aparelho converte os sons captados e os transforma em sinais elétricos que estimulam o nervo auditivo diretamente. Entretanto, no caso bilateral, apesar de não haver muitas diferenças, há um ganho significativo na percepção espacial e da fala em ambientes ruidosos.
Dessa forma, para Roebuck, a implementação do segundo aparelho possibilitou recuperar a conexão humana. Em entrevista, ela disse:
A comunicação é, sem dúvida, o anseio de todo coração humano. Os implantes reconectam você ao mundo e, mais importante, às pessoas”.
Desse modo, os cientistas exploram a possibilidade da adoção da técnica diminuir os índices de isolamento social, ansiedade e depressão aos pacientes com perda auditiva. Surpreendentemente, depois do caso da cantora, cientistas do Reino Unido passaram a fazer testes em adultos.
Entre os temas estudados pelo Hospital Addenbrooke em parceria com a Universidade de Cambridge está o custo benefício do método. Ou seja, se comparado com os custos há melhora significativa na vida dos pacientes mesmo ou não.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes