Notícias / Arqueologia

Estudo sugere que o reino macedônio surgiu mais tarde do que se pensava

Novo estudo mostra que a dinastia Argeada, à qual Alexandre, o Grande, pertencia, surgiu no século 6 a.C., décadas depois do que se pensava

Alexandre, o Grande, retratado na Batalha de Issus, cerca de 310 a.C., com base no Mosaico Romano da Casa do Fauno, Pompeia, Itália / Créditos: Getty Images

Por décadas, historiadores colocaram a fundação do reino da Macedônia, terra de Filipe II e Alexandre, o Grande, em meados do século 7 a.C., data repetida em livros de história e muitas vezes tratada como fato. Um novo estudo interdisciplinar agora desafia essa visão, sugerindo que a dinastia Argeada, também chamada Temênida, surgiu cerca de 75 anos depois do que se acreditava, por volta de 575 a.C.

A pesquisa combina análise crítica de textos antigos com evidências arqueológicas de sítios funerários na Baixa Macedônia e indica que o início do reino macedônio ocorreu mais tarde, reescrevendo a cronologia tradicional da região e provocando uma revisão significativa sobre como o poder se consolidou no norte da Grécia.

Fontes antigas revisadas

O estudo revela que listas de reis registradas por escritores posteriores, como Eusébio de Cesareia, incluem provavelmente governantes lendários. Contando a partir da morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., essas listas situam a fundação da dinastia muito antes do que as evidências arqueológicas permitem comprovar.

Ao analisar quanto tempo os primeiros reis da Macedônia teriam governado, os pesquisadores perceberam que os períodos indicados eram exageradamente longos. Já os monarcas posteriores, em épocas mais estáveis, tiveram reinados bem mais curtos. Considerando durações mais plausíveis, o estudo mostra que a dinastia Argeada começou apenas no início do século 6 a.C., oferecendo uma cronologia mais consistente com as evidências arqueológicas.

Mudanças nas práticas funerárias

A análise arqueológica confirma o que os textos antigos já sugeriam. No século 7 a.C., os túmulos mostram continuidade com tradições da Idade do Ferro, sem grandes diferenças sociais. Por volta de 570 a.C., porém, começa a aparecer uma mudança clara: sepultamentos mais ricos, padronizados, com ouro e objetos importados, inclusive para crianças, indicam que o status social se tornou hereditário.

Os túmulos mais elaborados estão localizados em pontos estratégicos, como Vergina (antiga Aigai), onde homens e mulheres da elite eram enterrados separadamente. Essa mudança repentina reflete a emergência de uma nova elite política e a consolidação do poder regional, sugerindo que, nesse período inicial, o reino funcionava mais como uma rede de chefados ligada a linhagem e prestígio do que como um Estado centralizado.

O estudo situa a ascensão da dinastia Argeada no meio do século 6 a.C., reescrevendo a narrativa da Macedônia antiga. De acordo com informações repercutidas pela revista Archaeology News, a pesquisa oferece um novo entendimento sobre a formação do poder no norte da Grécia, mostrando que a história tradicional subestimava a complexidade e o tempo necessários para a consolidação do reino macedônio.