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Estudo revela por que fêmeas de caribu desenvolvem e mastigam os próprios chifres

Pesquisa inédita aponta que os chifres servem como um suplemento nutricional vital no pós-parto, fornecendo cálcio e fósforo às renas

Fêmeas de caribu mantêm seus chifres para servirem de suplemento nutricional após o parto, garantindo a saúde dos filhotes na tundra / Créditos: Michael Miller/Divulgação

Uma nova pesquisa publicada no periódico Ecology and Evolution desvendou um mistério antigo da biologia: o motivo pelo qual as renas fêmeas, também conhecidas como caribus, são a única espécie de cervo a desenvolver chifres. O estudo revela que essas estruturas ósseas servem como um lanche nutritivo fundamental após o nascimento dos filhotes.

Ao mastigarem as próprias galhadas, que são descartadas poucos dias antes do parto, as novas mães garantem uma rápida reposição de cálcio, fósforo e proteínas. Essa descoberta recente contraria antigas teorias que apontavam o uso dos chifres pelas fêmeas apenas para defesa territorial ou proteção contra predadores.

Suplemento no Ártico

De acordo com informações da revista Smithsonian, a jornada migratória das fêmeas grávidas é extremamente exigente do ponto de vista energético. Para contornar esse desgaste, elas desenvolveram a capacidade de armazenar nutrientes vitais nos chifres durante a gestação.

Logo após o parto, com o tempo de pasto reduzido devido à amamentação, as galhadas tornam-se uma fonte de alimento acessível e estratégica.

Pesquisadores da Universidade de Cincinnati chegaram a essa conclusão após analisarem 1.567 chifres coletados entre 2010 e 2018. Todo o material foi recolhido no Refúgio Nacional da Vida Selvagem do Ártico, no nordeste do Alasca, uma importante área de parição para a imensa manada de caribus Porcupine.

Marcas reveladoras

Durante as análises laboratoriais, os cientistas notaram que mais de 86% das galhadas apresentavam sinais evidentes de roedura. Inicialmente, acreditava-se que as marcas pertenciam a pequenos roedores locais. Contudo, o exame detalhado dos padrões de mordida confirmou que 99% delas foram feitas pelos próprios caribus.

Em contrapartida, os ossos de esqueletos encontrados na mesma região apresentavam apenas 12% de marcas de caribus, sendo os predadores carnívoros os principais responsáveis pelo consumo.

Isso ocorre porque o cálcio presente nas galhadas é significativamente mais biodisponível e fácil de absorver para os herbívoros do que o cálcio dos ossos comuns.

O pesquisador Joshua Miller exibe chifre de caribu coletado no Alasca; estudo sugere que as galhadas servem como reserva nutricional estratégica para as fêmeas / Créditos: Colleen Kelley / UC Marketing + Brand

Além de nutrirem as fêmeas no pós-parto, os chifres não consumidos desempenham um papel ecológico de longo prazo. Ao se decomporem lentamente na tundra ártica, eles enriquecem o solo com minerais fundamentais, sustentando o crescimento da vegetação e garantindo a saúde de todo o ecossistema.


  • Sob supervisão de Giovanna Gomes