Estudo revela por que caçadores de bisões deixaram Montana há 1.100 anos
Secas severas e novas táticas de caçadores de bisões forçaram o abandono de antigo sítio milenar em Montana, nos Estados Unidos

Um mistério arqueológico de 1.100 anos acaba de ser solucionado. Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Conservation Science revelou que o abandono do sítio de Bergstrom, no centro de Montana (EUA), não foi causado pelo desaparecimento dos bisões, mas por uma combinação de secas severas e mudanças na estrutura social das tribos indígenas.
O local foi utilizado continuamente por cerca de sete séculos como um ponto estratégico de abate e processamento. No entanto, as atividades cessaram abruptamente, mesmo com os animais ainda ocupando as proximidades.
Por meio de escavações realizadas em 2019, pesquisadores recuperaram ferramentas de pedra, fragmentos ósseos e carvão, utilizando datação por radiocarbono para confirmar a longa sequência de ocupação humana.
Crise hídrica e logística
De acordo com informações da revista Archaeology News, ao contrário das hipóteses tradicionais de declínio ecológico, a análise de pólen e sedimentos mostrou que as comunidades vegetais e as manadas de bisões permaneceram estáveis. O fator determinante para a saída dos caçadores foi a instabilidade dos riachos locais.
A região enfrentou secas prolongadas que reduziram drasticamente a oferta de água doce. Para os caçadores da época, a água era indispensável não apenas para o consumo, mas para a logística do abate, que incluía a limpeza das peles e o preparo da carne. Sem fontes confiáveis, o sítio de Bergstrom tornou-se inviável para a manutenção dos acampamentos.
Novas estratégias de caça
Além do estresse climático, o estudo aponta para uma transição nos padrões econômicos das Grandes Planícies. Naquele período, grupos menores e mais flexíveis deram lugar a comunidades maiores e mais coordenadas, que realizavam matanças em massa para gerar excedentes para o comércio.
Essas operações de larga escala exigiam locais com topografias específicas, como desfiladeiros e barreiras naturais, além de abundância de combustível e pasto.
Como Bergstrom oferecia recursos limitados para essas novas necessidades, os caçadores se reorganizaram pela paisagem, priorizando áreas com múltiplos recursos confiáveis em um único ponto.
Dessa forma, o abandono do sítio demonstra que as populações indígenas não eram apenas seguidoras passivas de animais. Elas eram gestoras resilientes, que ajustavam sua mobilidade e tamanho social conforme as pressões ambientais e as demandas econômicas de sua era.
- Sob supervisão de Giovanna Gomes