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Estudo na Alemanha oferece quase R$ 140 mil para quem passar 100 dias em confinamento

Estudo inédito procura seis voluntários para passar 100 dias confinados em imitação de estação espacial, na Alemanha; recompensa será de quase R$ 140 mil

Homem dentro de cápsula de dormir de novo estudo de confinamento alemão / Crédito: Divulgação/DLR

Um novo estudo realizado na Alemanha está recrutando seis voluntários para participar de uma experiência que simula as condições de vida no espaço. Os selecionados passarão um período de cem dias em confinamento em uma réplica de estação espacial, localizada em Colônia, com o objetivo de vivenciar os desafios enfrentados por astronautas durante longas missões, que podem se estender por meses.

Como incentivo, cada participante que concluir o experimento receberá uma compensação de 23 mil euros, o que equivale a aproximadamente R$140 mil.

A pesquisa, intitulada SOLIS1000, tem como foco preparar astronautas para futuras missões além da órbita terrestre, com destinos como a Lua e Marte. “A preparação psicológica e fisiológica é mais crucial do que nunca para enfrentar os desafios das missões prolongadas”, enfatiza o comunicado de recrutamento.

O objetivo principal é analisar os impactos do isolamento extremo sobre a saúde mental e física, comportamento, desempenho e bem-estar dos indivíduos. Essas informações são essenciais para definir o suporte necessário aos astronautas durante suas jornadas fora do planeta.

O estudo conta com financiamento da Agência Espacial Europeia (ESA) e é organizado pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR). A experiência ocorrerá no Instituto de Medicina Aeroespacial da Alemanha, repercute a Deutsche Welle.

Critérios de seleção

Os participantes enfrentarão diversos desafios associados ao confinamento espacial, como a limitação de interações sociais e a convivência em ambientes restritos, que podem resultar em riscos físicos e psicológicos.

Para garantir que os candidatos estejam preparados para essas adversidades, a seleção será minuciosa. Os requisitos incluem ter entre 25 e 55 anos; bom estado de saúde; prática regular de atividades físicas; proficiência em inglês; e formação superior, preferencialmente nas áreas de Medicina, Engenharia de Software, Tecnologia ou correlatos. Os candidatos também deverão passar por avaliações psicológicas, físicas e médicas antes da aceitação no programa.

“As missões à Lua e a Marte demandam resiliência, autonomia e habilidade de adaptação”, acrescenta o Instituto de Medicina Aeroespacial.

A condução do estudo será realizada em inglês, e cidadãos não pertencentes à União Europeia, incluindo brasileiros, estão convidados a se inscrever desde que obtenham visto e seguro viagem adequados.

Rotina no estudo

A rotina dos voluntários será projetada para replicar a vida dos astronautas. Isso incluirá trabalho em equipe, pesquisa científica e enfrentamento de desafios operacionais. A experiência totalizará 126 dias: 16 dias serão dedicados à preparação antes do confinamento real entre 7 de abril e 7 de agosto de 2026, seguido por uma semana adicional para recuperação após o isolamento.

Durante um teste preliminar do projeto, cinco participantes (três homens e duas mulheres) passaram oito dias simulando uma missão espacial sob rigoroso monitoramento. Eles não tiveram acesso à luz solar ou ao mundo exterior e seguiram um cronograma estrito com regras rígidas sobre banhos — limitados a dois dias na semana — além da proibição de cochilos diurnos. Cada voluntário pôde levar apenas 1,5 quilo de itens pessoais. As únicas áreas não monitoradas por câmeras foram os dormitórios e banheiros.

Vale mencionar que a ausência de gravidade no espaço acarreta várias alterações no corpo humano, como perda muscular e óssea devido à diminuição do estresse físico. Além disso, há um deslocamento anômalo dos fluidos corporais para a cabeça. Após retornarem à Terra, muitos astronautas relatam dificuldades motoras temporárias. Em colaboração com a NASA, o DLR está conduzindo outro estudo visando entender esses efeitos e desenvolver estratégias para mitigá-los.

Participantes também estão sendo buscados para um experimento adicional que envolve permanecer 60 dias em uma cama, com foco no impacto dessa condição na saúde sensório-motora dos astronautas durante transições entre gravidade normal e ausência dela. O experimento utiliza camas inclinadas em um ângulo específico para simular as condições encontradas no espaço.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.