Estudo diz que 2025 foi o ano que mais houve conflitos desde a 2° Guerra Mundial
Novo estudo lista Israel e Estados Unidos como países mais agressivos do mundo e que escalada de conflitos em 2025 é sem precedentes; entenda!

Não é surpresa para ninguém que o ano de 2025 foi um ano em que várias guerras aconteceram simultaneamente. Porém, um recente estudo divulgado nesta terça-feira, 9, pelo Instituto de Pesquisa sobre a Paz de Oslo (Prio), revelou que os 65 conflitos entre Estados de 2025 configuram o maior número de conflitos desde 1946 (o fim da Segunda Guerra Mundial).
Ao mesmo tempo, cerca de 245 mil mortes de civis, em um cenário cada vez mais polarizado e marcado por crises simultâneas impulsionam valores para o alto. Pesquisadores indicam que os EUA têm papel central no enfraquecimento da cooperação internacional e na polarização das potências.
O cálculo dos conflitos de 2025
Conforme o estudo “Conflict Trends”, em 2025 houveram 65 conflitos envolvendo ao menos um Estado. Ao mesmo tempo, cerca de 245 mil pessoas faleceram em meio aos conflitos políticos nos países, maior índice desde o fim da Guerra Fria.
No passado, somente momentos de conflitos globais e crises intensas chegaram a valores próximos aos de 2025. Vale destacar o conflito no Tigré em 2021 e os embates na Etiópia em 1994, durante o genocídio de Ruanda.
A pesquisa explica que 76,5 mil mortes foram ataques deliberadamente à civis. Em comparação, em 2024, esse valor foi de 14,2 mil. Um dos principais responsáveis pelo crescimento são os cercos e massacres na região de Al-Fashir no Sudão. Assustadoramente, cerca de 60 mil pessoas morreram em decorrência dos conflitos.
Mas a pesquisadora Siri Aas Rustad, responsável pelo relatório, notifica que as perspectivas não são de melhora. Aparentemente, os conflitos atuais vêm somando à uma proliferação global de conflitos e gerando valores ainda mais assustadores.
De acordo com Rustad, ao contrário dos anos 2000, em que tivemos anos sem guerras, atualmente o cenário é marcado por conflitos contínuos em diferentes regiões do planeta. Por exemplo, a renovação dos conflitos entre Índia e Paquistão, Paquistão e Afeganistão, a fronteira conflituosa entre Camboja e Tailândia, além das grandes guerras ocidentais.
Notavelmente os atuais conflitos entre Rússia e Ucrânia marcam um dos conflitos mais duradouros desde os anos 2000. Além disso, é importante destacar que casos como os grupos criminosos do Haiti, os episódios de violência eleitoral na Tanzânia, as chacinas em El Salvador, que são menos cobertos internacionalmente, também entram na base de dados do Programa de Dados de Conflitos de Uppsala (UCDP).
Nesse sentido, a base de dados diferencia os conflitos em 3 eixos: conflitos com participação estatal, conflitos entre atores não estatais e violência unilateral contra civis.
Estados Unidos e a desunião
Conforme a Folha de S. Paulo, os EUA têm papel central nesse aumento, visto que as recentes medidas de Donald Trump enfraqueceram os mecanismos multilaterais de segurança pública. Desse modo, guerras pautadas na polarização, também instigadas pelas medidas de Trump, inflamaram conflitos mundo afora.
Por exemplo: as recentes medidas comerciais americanas contribuem para o enfraquecimento da cooperação econômica global, criando um mercado desleal. Outras medidas como a saída de investimentos da Otan e a Guerra da Ucrânia, marcam um novo episódio na história das relações internacionais.
Contudo, Rastad destaca que os patrocínios americanos aos conflitos Israelenses também amontoam e expandem os índices. A pesquisadores destaca:
Israel está claramente entre os países mais agressivos no momento“.
Inclusive, as recentes missões expansionistas de Israel nos territórios da Cisjordânia, Síria e Egito também demarcaram fatores essenciais do crescimento desses índices. Embora os conflitos com Irã tenha se intensificado neste ano, em 2025 os episódios de Israel contra grupos armados na região construíram um quadro de instabilidade persistente na região.
Assim, em 2025, a África continuou como a região com maior número de conflitos estatais, com 29 casos. Logo após, Ásia, Oriente Médio, Américas e, por último, a Europa. Embora os índices não sejam positivos, eles revelam a importância da coalizão global pela paz e a valorização de soluções diplomáticas.
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*Sob supervisão de Éric Moreira