Notícias / Mundo

Espécie de marsupial descoberta na Austrália pode já estar extinta

Nova espécie de marsupial na Austrália revela importância da conservação; woylies enfrentam risco de extinção e ganham atenção científica

Nova espécie de marsupial Bettongia haoucharae encontrada na Austrália - Divulgação/Nellie Pease

Uma nova espécie de marsupial, intimamente relacionada ao canguru, foi identificada na Austrália, embora exista a possibilidade de que já esteja extinta. A descoberta foi realizada por uma equipe de cientistas, incluindo pesquisadores da Universidade Curtin, que basearam suas conclusões em fósseis encontrados em cavernas localizadas na região do Nullarbor, no sul e sudoeste australiano.

O estudo, publicado na revista Zootaxa, analisou fósseis de crânios e dentes, levando à identificação de uma nova espécie de woylie, também conhecido como bettong de cauda escovada, além de duas novas subespécies vivas. A nova espécie encontrada nas cavernas do Nullarbor recebeu o nome de Bettongia haoucharae.

Os pesquisadores expressaram a intenção de colaborar com os povos indígenas australianos, especialmente os Noongar, para encontrar um nome que respeite as tradições culturais. O termo “woylie” tem origem na língua desses povos.

Os woylies desempenham um papel crucial nos ecossistemas, conhecidos como engenheiros ambientais, eles têm a capacidade de revirar várias toneladas de solo anualmente em busca de seus fungos favoritos. A pesquisa recente sublinha a importância dessa espécie nativa do oeste da Austrália.

Os cientistas esperam que as descobertas ofereçam novas pistas sobre a diversidade dos woylies e considerem a necessidade de iniciativas de conservação voltadas para reprodução e translocação, visando aumentar a população e a saúde dessas espécies ameaçadas.

De acordo com Jake Newman-Martin, autor principal do estudo e doutorando, os woylies estão criticamente ameaçados e têm sido alvo de esforços conservacionistas por décadas. “Neste novo trabalho, nomeamos uma nova espécie com base em material fóssil e identificamos duas novas subespécies pela primeira vez. Infelizmente, muitos já se extinguiram antes mesmo de termos conhecimento deles”, comentou Newman-Martin.

Estudos

Tradicionalmente, os cientistas utilizavam medições ósseas para avaliar a diversidade dos woylies. No entanto, este estudo utilizou espécimes provenientes do Museu da Austrália Ocidental, Museu da Austrália do Sul, Museu Australiano, Museu de Queensland, Museus Victoria e outros centros de pesquisa renomados.

Kenny Travouillon, curador de Zoologia Terrestre do Museu da Austrália Ocidental, afirmou: “Essa pesquisa confirmou várias espécies distintas e ampliou o conhecimento sobre a diversidade dos woylies ao medir fósseis de crânios e corpos que não haviam sido examinados detalhadamente anteriormente”.

Segundo o ‘Independent’, ele acrescentou que a análise conjunta de fósseis e ferramentas genéticas pode oferecer importantes insights para os esforços conservacionistas desta espécie nativa criticamente ameaçada.

Os cientistas esperam que futuras classificações sigam uma abordagem combinada que avalie características corporais e análises moleculares tanto de fósseis quanto de espécimes modernos e históricos para proporcionar um entendimento abrangente sobre esses animais.