Escavações revelam novos túmulos em antiga necrópole romana
Necrópole com edifícios decorados, afrescos e sepultamentos simples revela diferentes fases da história social e religiosa da Roma antiga

Arqueólogos descobriram um novo conjunto de sepultamentos na antiga necrópole de Ostiense, em Roma, ampliando o conhecimento sobre um dos maiores complexos funerários da cidade durante o império romano. A descoberta foi feita durante escavações preventivas realizadas antes da construção de uma residência estudantil na Via Ostiense, uma das antigas estradas que ligavam Roma ao seu importante porto, Ostia.
A investigação arqueológica revelou um setor até então desconhecido da necrópole, caracterizado por estruturas funerárias bem preservadas e por uma organização espacial cuidadosamente planejada. Entre os achados estão cinco edifícios funerários do período imperial, todos com planta quadrangular e tetos abobadados. As construções estão alinhadas em um eixo nordeste-sudoeste e são precedidas por duas estruturas menores, o que sugere um complexo arquitetônico organizado em torno de um pátio central ou espaço aberto.
Necrópole sofisticada
As paredes desses edifícios apresentam rica decoração pictórica. Os arqueólogos identificaram afrescos com faixas coloridas, motivos vegetais e representações simbólicas associadas às crenças funerárias romanas. Entre elas aparecem figuras femininas em posição de oração, conhecidas como orantes, além de imagens de Vitórias aladas — símbolos ligados à ideia de transcendência e triunfo sobre a morte.
De acordo com os especialistas ouvidos pela imprensa especializada, algumas dessas estruturas podem ter funcionado como columbários, espaços com nichos destinados a guardar urnas funerárias contendo restos cremados. Esse tipo de sepultamento era comum em Roma durante o início do período imperial, quando a cremação era uma prática funerária amplamente difundida.
Outro aspecto importante da descoberta é a presença de uma segunda fase de ocupação funerária no local. Atrás das estruturas monumentais mais antigas, os arqueólogos identificaram uma necrópole posterior composta por sepultamentos muito mais simples: covas abertas diretamente no solo e com poucos objetos funerários. Essa diferença sugere mudanças nas condições sociais e econômicas da população que utilizava o espaço ao longo dos séculos.
A sequência estratigráfica do sítio arqueológico indica que o local foi utilizado durante um longo período da história romana, possivelmente desde o início do Império até a Antiguidade Tardia. A complexidade do conjunto também ajuda os pesquisadores a compreender melhor a evolução das práticas funerárias em Roma, incluindo a transição gradual entre diferentes tradições religiosas e culturais.