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Romanos faziam pasta líquida de gesso e espalhavam sobre seus mortos

Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de York oferece informações sobre o modo como os romanos realizavam seus rituais de morte durante os séculos 3 e 4 d.C.

Pesquisadores encontraram impressões digitais e marcas de dedos em gesso em um túmulo romano - Crédito: Divulgação/Seeing the Dead Project/University of York and York Museums Trust

Há aproximadamente 1.800 anos, na Grã-Bretanha Romana, práticas funerárias incomuns deixaram vestígios intrigantes. Pesquisadores do projeto “Seeing the Dead”, da Universidade de York, relataram a descoberta de impressões digitais preservadas em uma pasta semelhante a gesso, que foi utilizada para preparar corpos para sepultamento. Esses indícios oferecem informações sobre o modo como os romanos realizavam seus rituais de morte durante os séculos 3 e 4 d.C.

A equipe de arqueólogos investiga o uso do gesso líquido para preencher caixões de pedra e chumbo de indivíduos que viveram na região de Yorkshire durante o Império Romano. O gesso, um mineral à base de cálcio, era um componente essencial em antigos materiais como gesso e cimento. Quando aquecido e misturado com água, o gesso se transforma em um líquido moldável, conhecido como gesso de Paris, que ao ser aplicado sobre um corpo falecido endurece e cria uma impressão ou moldura do defunto, similar aos moldes encontrados em Pompeia.

Até o momento, foram descobertos pelo menos 45 sepultamentos utilizando gesso líquido na área de Yorkshire, de acordo com o portal Live Science. Durante a análise de um sarcófago de pedra encontrado na década de 1870, que não havia recebido a devida atenção anteriormente, a equipe fez uma descoberta surpreendente: as impressões digitais indicavam que o gesso havia sido aplicado manualmente.

“Quando levantamos a moldura e começamos a limpar e escanear em 3D, descobrimos a impressão da mão com dedos e ficamos atônitos”, relatou Maureen Carroll, arqueóloga romana da Universidade de York e investigadora principal do projeto. “Elas nunca haviam sido vistas antes, nem ninguém havia removido a moldura do sarcófago.”

Uso do gesso

No dia 10 de dezembro, Carroll compartilhou em um post no blog que antes acreditavam que o gesso líquido era aquecido a pelo menos 150 graus Celsius antes de ser derramado sobre o corpo. No entanto, a presença das impressões digitais sugere que a mistura estava em uma consistência mais macia, permitindo que alguém a espalhasse manualmente sobre o corpo dentro do caixão. As marcas foram aplicadas tão próximas às bordas do sarcófago que só se tornaram visíveis após a remoção da moldura.

Essas impressões digitais testemunham o contato íntimo que os romanos mantinham com seus mortos. Além disso, as marcas podem fornecer pistas adicionais sobre os indivíduos envolvidos no sepultamento, ajudando a determinar se um agente funerário profissional ou um membro da família foi quem teve o último contato com o falecido.

A equipe está otimista quanto à possibilidade de extrair material genético das impressões digitais para análise no Instituto Francis Crick, em Londres. Embora seja uma expectativa incerta, “o melhor cenário é que podemos inferir o sexo genético, o que seria um grande resultado!”, concluiu Carroll.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.