Escavação no Canal Sena-Norte revela vestígios mesolíticos na França
Feita em Thourotte, a escavação encontrou madeira e lareiras de 7.600 anos; os dados apontam que a área servia como zona de passagem mesolítica

Um projeto de desenvolvimento do Canal Sena-Norte da Europa revelou, por meio de uma escavação preventiva, vestígios de ocupação mesolítica na cidade de Thourotte, uma comuna na França.
As escavações no local começaram em 2023, após a aprovação da avaliação arqueológica no ano anterior. Em uma área de 5.300 m², os arqueólogos do Inrap também conseguiram descobrir sequências geológicas que traçam a evolução do vale.
De acordo com informações do Inrap, a operação revelou numerosas estruturas que continham artefatos, buracos de postes, fossas ou valas, além de anomalias naturais.
Preservação orgânica
Mas os achados mais significativos surgiram no fundo do antigo canal do rio Oise, onde o ambiente úmido favoreceu a preservação de materiais orgânicos do início do Holoceno. Os pesquisadores identificaram peças de madeira trabalhada, incluindo um possível fascine feito de varas de avelã com vestígios de carbonização, que teria funcionado como uma barragem primitiva.
Além disso, foram localizados fragmentos de estacas e uma parte de uma canoa de pinho, a qual apresentava marcas de fogo e de escavação manual na face interna. Junto a esses elementos, a equipe também recolheu lâminas líticas que provavelmente formavam um conjunto de ferramentas.
Fauna e tecnologia
Ao mesmo tempo, a exploração de um banco de areia próximo revelou uma coleção dispersa de sílex trabalhado, arenito e restos de fauna selvagem. As espécies identificadas incluem veados-vermelhos, javalis e até castores, o que aponta para uma biodiversidade rica na época.
A análise técnica dos objetos de pedra indicou métodos de produção de lâminas pouco documentados no norte da França, sugerindo uma ocupação que abrange desde o Mesolítico Médio até o Final.
Outro ponto relevante foi a descoberta de mais de 60 kg de vestígios líticos expostos ao fogo, o que sugere a existência de antigas estruturas de combustão que acabaram desmanteladas pela dinâmica fluvial.
Marcos e contexto
Consequentemente, a datação por radiocarbono foi fundamental para organizar a cronologia do sítio. Foram identificadas duas lareiras principais: uma situada na camada arenosa, datada de cerca de 7.600 anos atrás, e outra mais recente, que marca a transição para o Neolítico.
Por fim, o setor sul da escavação apresentou vestígios pontuais da cultura Cerny, do Neolítico Médio, evidenciados por fragmentos de cerâmica e fossas dispostas em semicírculo.
Segundo os especialistas do Inrap, o conjunto das descobertas confirma que o vale do Oise funcionava predominantemente como uma zona de passagem recorrente e não como um local de assentamento permanente, oferecendo novos dados sobre a ocupação pré-histórica fora da confluência com o rio Aisne.