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Entenda por que astronautas da Artemis II não pousarão na Lua

Por que mesmo com os avanços tecnológicos o homem não pousou mais na Lua desde 1972? Entenda as prioridades e planos da Artemis II

Lançamento de Artemis II e pisada na Lua de Neil Armstrong
Lançamento de Artemis II e pisada na Lua de Neil Armstrong - Créditos: Getty Images

Com o lançamento recente da Artemis II, muitas dúvidas sobre a volta do homem à Lua tomaram as redes sociais. A rota da recente exploração espacial, projetada para somente orbitar a Lua, deixou internautas curiosos com suas intenções.

Primeiramente, precisamos entender o contexto em que o primeiro pouso da humanidade na Lua se deu e o que faz ser tão excepcional até os dias de hoje. Para assim entender como esse processo têm se dado nos dias de hoje, e as diferenças dos momentos históricos.

O contexto histórico

Antes de tudo precisamos lembrar do contexto da Guerra Fria, momento em que os Estados Unidos e a União Soviética disputavam a hegemonia global. Assim a exploração espacial se tornava um dos campos de disputa para as duas potências globais.

Os soviéticos, devido a seu método excepcional de produção e largos investimentos em ciência, vinham liderando a corrida espacial. Porém, a conquista mais simbólica do contexto foi passada aos Estados Unidos quando a Apollo 11 tripulada por Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin estacionou na Lua.

Naquela época, o congresso nacional aprovou o redirecionamento de 5% de toda a receita nacional dos Estados Unidos para a Nasa. Hoje, o valor se aproxima de 3,5%, valor estimado em 73,5 milhões dólares dos Estados Unidos.

A verdade é que a Lua não tinha muito à oferecer para a humanidade, sua conquista antes de tudo foi simbólica. Se tornando difícil convencer tanto o parlamento quanto a tesoura nacional estadunidense à passar valores exorbitantes para este lado da ciência.

No entanto, após 1972, explorações espaciais focadas em sondas, rovers e demais mecanismos “substituidores” dos humanos foram muito escolhidas por serem mais baratas.

Ainda contaram com o investimento para um destino mais econômico, a órbita terrestre baixa, vinda desse esforço a Estação Espacial Internacional.

Ou seja, para realizar o empreendimento foi necessário um alinhamento científico com as motivações políticas e econômicas. Somente dessa forma as coisas voltariam a se repetir.

Os dias de hoje

O que torna esse assunto tão interessante, é que recentemente uma outra potência comunista retornou ao confronto direto com os Estados Unidos, estamos falando da China. Apesar do sistema econômico chinês não ser exatamente ligado ao comunismo stalinista, ainda podemos os considerar comunistas.

Perspectivas econômicas apontam para o decrescimento constante da economia dos Estados Unidos e a fuga desse capital para a China. Sintetizando, os Estados Unidos vêm perdendo espaço na economia global para o governo chinês.

Conforme teóricos da economia, história e sociologia, como Giovanni Arrighi, a hegemonia americana está profundamente ameaçada. Sua financeirização fez com que o capital produtivo fugisse do país.

Dessa forma, mais uma vez os Estados Unidos se veem encurralados a demonstrar seu poder simbolicamente diante o mundo. É por isso que, apesar da Artemis II não pousar na Lua, há a projeção de que a Artemis IV possa pousar em 2028.

O conflito tenciona quando descobrimos que a China quer ir à Lua em 2030. Em suma, os EUA querem antecipar a operação chinesa.

Em razão desses fatores podemos compreender o porquê das viagens espaciais voltarem à tona recentemente, há uma competição acirradíssima em cena novamente.

As Artemis

Conforme o canal Terra, a Artemis II têm como objetivo sondar a Lua. Compreender formas de construir bases nela, sejam em solo sejam como estações satélites.

Ademais, com a construção dessas bases, seria mais fácil realizar viagens até Marte e até mesmo levar humanos até lá. Porém, para realizar tais atos, precisam voltar a pisar no nosso satélite natural.

O físico Domenico Vicinanza, esclarece a situação ao portal científico The Conversation:

No âmbito do programa Artemis, a Nasa enviará astronautas a missões cada vez mais difíceis para explorar uma maior parte da Lua, com fins de descoberta científica, benefícios econômicos e para preparar as bases das primeiras missões tripuladas a Marte”

De todo modo, a Artemis II é mais um pequeno passo para a humanidade dominar a vastidão do espaço.

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: