Artemis II inicia retorno à Terra após sobrevoo lunar
Missão da NASA bate recorde de distância no espaço e inicia retorno após sobrevoo histórico da Lua; reentrada está prevista para 10 de abril

A missão Artemis II iniciou oficialmente sua viagem de retorno à Terra após completar o sobrevoo da Lua e atingir um novo recorde de distância humana no espaço. A manobra ocorreu na segunda-feira, 6, quando a cápsula Orion passou pelo lado oculto do satélite natural e alcançou o ponto mais distante já registrado por astronautas.
Após um período de perda total de comunicação, previsto durante a travessia pela face oculta da Lua, a nave atingiu por volta das 20h02 (horário de Brasília) a distância máxima de 406,6 mil quilômetros da Terra. O marco supera em cerca de 6.600 quilômetros o recorde anterior estabelecido pela missão Apollo 13, que permaneceu por décadas como referência na exploração espacial tripulada.
A bordo estão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, além do canadense Jeremy Hansen. Trata-se da primeira missão tripulada a deixar a órbita terrestre desde o fim do programa Apollo, ampliando os limites da presença humana no espaço profundo.
“A Artemis II alcançou sua distância máxima da Terra… agora eles começam a jornada de volta para casa”, afirmou Jared Isaacman, administrador da agência espacial, em publicação nas redes sociais. Ele também destacou o significado simbólico do feito: “Este será lembrado como o momento em que as pessoas voltaram a acreditar que é possível fazer o quase impossível e mudar o mundo”.
Após o restabelecimento do contato, a primeira comunicação veio da astronauta Christina Koch. “Houston, aqui é a Integrity, teste de comunicação… é muito bom ouvir a Terra de novo”, disse. Em seguida, ela fez uma referência à visibilidade do satélite a partir do planeta: “Para a Ásia, África e Oceania, estamos olhando para vocês. Ouvimos dizer que vocês conseguem olhar para cima e ver a Lua neste momento. Nós também vemos vocês”.
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Durante a passagem pela face oculta, a cápsula operou de forma autônoma, executando manobras essenciais para posicionar a nave na trajetória de retorno. A partir desse ponto, a missão entra em sua fase final, com uma série de ajustes de rota e atividades a bordo antes da reentrada na atmosfera terrestre, repercute o g1.
Nos próximos dias, a Orion deverá deixar a esfera de influência gravitacional da Lua e iniciar uma sequência de pequenas queimas de motor para alinhar sua trajetória. Também estão previstos testes de pilotagem manual, simulações de abrigo contra radiação solar e revisões completas dos procedimentos de reentrada.
O retorno à Terra envolve etapas críticas. Antes de entrar na atmosfera, a cápsula tripulada se separará do Módulo de Serviço Europeu, responsável pela propulsão ao longo da viagem. Em seguida, o escudo térmico será submetido a temperaturas de até 1.650 °C durante a reentrada, até que paraquedas desacelerem a descida para a amerissagem no Oceano Pacífico, onde equipes de resgate estarão posicionadas.
A missão deve ser concluída no dia 10 de abril, marcando o fim de uma jornada de quase dez dias no espaço profundo.
Emoção na Artemis II
Momentos simbólicos também marcaram o dia do sobrevoo. Ao despertar, os astronautas ouviram uma mensagem gravada por Jim Lovell, astronauta das missões Apollo 8 e Apollo 13, que faleceu no ano passado aos 97 anos. “Bem-vindos à minha antiga vizinhança”, disse na gravação. “É um dia histórico, e eu sei que vocês estarão ocupados — mas não se esqueçam de apreciar a vista. Boa sorte e que Deus os guie.”
Durante as observações lunares, a tripulação também participou da nomeação simbólica de formações na superfície do satélite. Atendendo a um pedido feito a partir da nave, duas crateras visíveis foram batizadas: uma recebeu o nome de Carroll, em homenagem à falecida esposa do comandante Wiseman, Carroll Taylor Wiseman, que faleceu em 2020, aos 46 anos, devido a um câncer; e outra foi chamada de “Integrity”, em referência à própria cápsula.

Com o retorno em andamento, a Artemis II consolida um novo capítulo na exploração espacial tripulada e estabelece as bases para futuras missões além da órbita terrestre.