Empresas são multadas em R$ 370 mil por ‘pintar’ lago de azul em Jundiaí
Cetesb responsabiliza fabricante de corante e transportadora por derramamento químico que matou peixes e afetou fauna do Parque Tulipas

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) multou em R$ 370 mil cada uma das duas empresas envolvidas no acidente ambiental que coloriu de azul um dos lagos do Parque Botânico Tulipas Professor Aziz Ab’Saber, em Jundiaí, a cerca de 58 quilômetros da capital paulista. O episódio, ocorrido no mês passado, causou a morte de mais de cem peixes e deixou patos, gansos e capivaras tingidos pela substância química.
O vazamento aconteceu após a carroceria de um caminhão tombar ao colidir com um poste nas proximidades do parque. A carga — 2.000 litros de corante líquido verde malaquita — escoou até uma boca de lobo a cerca de 50 metros do local do acidente, chegando ao córrego do Jardim das Tulipas, que atravessa o parque e deságua no rio Jundiaí. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público.
Multas
As empresas multadas foram a Farkon, responsável pela fabricação do corante, e a Singular Envio Logística Integrada, dona do caminhão. Ambas foram procuradas pela reportagem, mas não responderam aos contatos.
Em nota divulgada no último dia 29 de maio, a Farkon afirmou que o veículo não pertencia à empresa e estava parado havia mais de 50 minutos antes do acidente. A fabricante disse ainda ter acionado uma empresa de gestão ambiental com quem mantém contrato para situações emergenciais e afirmou que o corante “não provoca perigo crítico por ser à base de água”.
A Cetesb, no entanto, informou que as amostras de água do lago apresentaram toxicidade aguda, compatível com os impactos visíveis no ecossistema. Já no rio Jundiaí, que recebe parte da água do córrego afetado, a companhia afirmou não ter detectado alteração na qualidade da água.
Para além das multas, a Cetesb determinou que a Farkon implemente medidas de prevenção, como novos sistemas de contenção e protocolos específicos para o transporte de produtos químicos. O processo será acompanhado pela agência ambiental.
Recuperação
Segundo o professor Cláudio da Cunha, coordenador do curso de Gestão Ambiental da Fatec Jundiaí, a recuperação ambiental pode levar um tempo indeterminado. “É um acidente inédito na região, e não há precedentes claros para prever os impactos de longo prazo”, alertou. Cunha também explicou que o corante verde malaquita, em altas concentrações, pode ser tóxico, com potencial para causar alterações genéticas e até se tornar cancerígeno.
Segundo a ‘Folha de São Paulo’, apesar da gravidade do ocorrido, a legislação municipal ainda não prevê multas específicas para esse tipo de acidente. Um projeto de lei sobre o tema está em tramitação na Câmara de Vereadores de Jundiaí.