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Elites romanas criavam macacos indianos como símbolos de status

Túmulos de macacos indianos, muitos com oferendas, indicam que animais exóticos marcavam status entre romanos no porto de Berenike, no sul do Egito

Macacos descansam no muro do palácio presidencial durante cerimônia em Nova Déli, Índia / Créditos: Getty Images

Um novo estudo revelou que romanos de elite mantinham macacos indianos como animais de estimação exóticos. Os animais serviam como uma espécie de marcador de status social em Berenike, um porto estratégico no sul do Egito, às margens do Mar Vermelho.

Em meio às descobertas, foram identificadas sepulturas cuidadosamente preparadas, o que indica que esses animais recebiam um tratamento diferenciado. Eles eram enterrados com oferendas, gesto que reforçava o alto valor simbólico atribuído a cada um deles.

Cemitério revela

E foi no cemitério de animais de Berenike que escavações identificaram cerca de 800 sepulturas, das quais 35 pertenciam a macacos datados dos séculos 1 e 2 d.C. Além disso, durante análises osteológicas, os pesquisadores confirmaram que a maioria desses animais não era africano, e sim originária do subcontinente indiano.

Com esse achado, é possível ter a primeira evidência zooarqueológica direta de que primatas não humanos vivos foram transportados da Índia ao Egito romano. Antes, acreditava-se que os romanos criavam principalmente macacos africanos, como os macacos-da-berberia.

Prestígio entre romanos

No entanto, o estudo revela um grau de organização logística e de demanda por animais exóticos maior do que se imaginava, segundo informações repercutidas pela revista Archaeology News. E os próprios sepultamentos deles sugerem que esses animais ocupavam um lugar especial na sociedade local.

Nos objetos encontrados junto aos macacos, eles observaram coleiras, oferendas de comida e conchas ornamentais. Entre os achados, alguns macacos foram enterrados junto com outros animais, como gatinhos e até um leitão, algo que alguns pesquisadores interpretaram como se esses animais fossem os próprios “pets” dos macacos.

Tutores membros da elite

Na época, sepulturas de cães e gatos raramente tinham oferendas, por isso os itens encontrados junto aos macacos de Berenike reforçam a ideia de que o tratamento dado a eles era diferenciado. Logo, pesquisadores sugerem que os tutores eram membros da elite romana, possivelmente militares e oficiais que ficavam estacionados em Berenike para manter a segurança das rotas comerciais.

Ao possuir um macaco importado, reforçava-se um símbolo de poder econômico, prestígio, acesso a grandes redes de comércio de longa distância e conexões internacionais. Porém, alguns dos animais analisados apresentavam sinais de estresse nutricional, atribuídos não a negligência, mas às dificuldades de manter uma dieta adequada em um porto isolado no deserto, onde alimentos frescos eram escassos.

Berenike e seu papel

As condições de Berenike ajudam a explicar essas dificuldades, já que o local funcionava como um importante entreposto romano voltado ao comércio com o Oceano Índico. Por ali passavam especiarias, tecidos, pedras preciosas e, como mostram os novos dados, também animais exóticos transportados vivos ao extremo sul do Egito.

Para os pesquisadores, o conjunto de achados oferece uma janela rara sobre o comportamento social romano e sobre como humanos e animais eram incorporados às dinâmicas de prestígio. Além de ampliar a compreensão do comércio global do período e da logística necessária para mover primatas por longas distâncias, as sepulturas preservam um registro íntimo das relações entre pessoas e animais há quase dois milênios.