Pesquisadores de três países diferentes sugerem que as pessoas com esse código genético têm a cabeça mais alongada
Que os neandertais deixaram rastros entre nós, já se sabia: um europeu, tem em média, 2% de DNA dos antigos primos dos humanos, que desapareceram aproximadamente 40 mil anos atrás. Também já se sabe que essa herança deixou os humanos mais resistentes a infecções. A novidade é que o DNA neandertal deixou parte dos europeus com a cabeça mais alongada.
Publicada nesta semana, a conclusão é de um grupo de pesquisadores de centros de pesquisa da Alemanha, da Holanda e da Califórnia. O grupo identificou uma relação entre fragmentos alterados de dois genes, UBR4 e PHLPP1, com um formato de crânio mais achatado e alongado, característico de parte da população europeia.
"Alterações nesses dois genes têm grandes consequências para o desenvolvimento do cérebro", afirma um dos autores, o geneticista Simon Fisher. De fato, os fragmentos alterados foram encontrados em áreas do cérebro ligadas a coordenação e aprendizado.
O estudo permite inferir que o formato do crânio tem consequências diretas sobre a capacidade cerebral. E pode ajudar a identificar em qual momento da evolução os seres humanos adquiriram seus crânios característicos, mais arredondados. Afinal, esse formato é raro entre os primatas.