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Descubra como cão e sua comunidade erradicou furões de sua ilha

A ilha de Rathlin, na Irlanda do Norte, conhecida por ser “ninho” de diversas espécies de aves, erradica comunidades de furões e ratos invasores

Furão se alimentando de ovos - Créditos: Getty Images

Na pacata Ilha de Rathlin, localizada na Irlanda do Norte, Reino Unido, espécies invasoras de ratos e furões vinham acabando com a biodiversidade local. Pela primeira vez, os furões foram erradicados da ilha, possibilitando a volta de aves marítimas para a região.

O projeto ecológico “Life-Raft”, projeto de mais de 4,5 milhões de libras esterlinas, encabeçado pela RPSB NI e envolvendo moradores locais, instituições de caridade, voluntários e um labrador chamado Woody, conquistaram a liberdade ecológica da ilha.

Invasão pelos mares

Primeiramente, é necessário entender o que são espécies invasoras e qual é o problema delas para a vida da ilha. Em síntese, a ilha não contava com os pequenos predadores na sua formação original, os únicos mamíferos presentes eram coelhos e lebres selvagens.

Porém, com as navegações do começo do século XX, espécies de ratos chegaram na região e disputar espaço por alimento com aves e os coelhos. Querendo lidar com esse problema social e ecológico, nos anos 80, uma comunidade de furões foi solta na região.

Contudo, o grupo que idealmente só tinha machos, continha fêmeas escondidas, o que causou um desequilíbrio total na ilha. Espécies de pássaros que botaram seus ovos em buracos no chão desapareceram da ilha nos últimos 20 anos.

O desastre ecológico

De acordo com Erin McKeown, Senior Seabird Scientist e Marine Policy Officer da RSPB NI, apontou que, em 2017, um único furão entrou em uma colônia de repovoação de papagaios-do-mar de Rathlin e matou 26 pássaros em dois dias. Ainda, disse à BBC que a criação de aves marinhas em todo o Reino Unido e Irlanda diminuiu 62% nas últimas duas décadas.

Mais do que os coelhos, as criações de galinhas dos moradores locais eram constantemente atacadas pelos furões selvagens. Os predadores encontraram nos animais jovens, ninhos e pequenos pássaros a refeição perfeita.

As medidas de segurança

Desde 2023, mais de 400 armadilhas para furões e 7.000 armadilhas de ratos foram colocadas na ilha. Aliado à causa, o cachorro Woody, cão especializado no farejamento das espécies invasoras, verificou embarcações e campos para garantir a remoção total das pequenas feras.

A saber, a ativista Claire Barnett deixa claro que o cãozinho têm expediente contado e utiliza os EPI ‘s adequados em horário de serviço. Podendo brincar livremente fora do tempo de serviço. Ainda assim, por seus serviços de biossegurança, Woody ganhou o apelido de “Wonderdog”.

Barnett, sobre as aves marinhas, explica:

As aves marinhas estão com grandes problemas – quando não estão fazendo ninhos no interior, estão nos mares, estando sob uma enorme pressão das mudanças climáticas, do nosso aquecimento das águas, da pesca excessiva, da poluição plástica. […] Todas essas coisas estão tendo sérias implicações para essas aves, mas o que podemos fazer, e fazer muito rapidamente, é garantir que elas tenham um lugar seguro para construir seus ninhos.”

A conquista causou uma agitação no meio ecológico, mostrando que é possível, se todos ajudarem.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: