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Descoberta macabra expõe decapitação da múmia de Tutancâmon

Um século após a descoberta da tumba, análises revelam que Howard Carter e sua equipe decapitaram e mutilaram os restos de Tutâncamon

Tutâncamon
A múmia do faraó Tutancâmon - Crédito: Getty Images

Passados cem anos desde que a tumba de Tutancâmon foi encontrada no Vale dos Reis, um detalhe perturbador voltou ao centro do debate arqueológico: para remover a múmia do jovem faraó de seu sarcófago, Howard Carter e sua equipe literalmente a decapitaram e a fragmentaram em dezenas de partes.

As conclusões foram apresentadas pela pesquisadora Eleanor Dobson, da Universidade de Birmingham, que recuperou fotografias e registros da época e expôs o processo como um dos episódios mais violentos da arqueologia moderna.

Descuido com Tutâncamon

Quando Carter abriu a tumba em 1922, encontrou a múmia completamente aderida ao fundo do sarcófago. O corpo estava preso por uma espessa camada de resinas e óleos derramados durante o ritual funerário em 1323 a.C., substância que endureceu com o tempo e se tornou semelhante a pedra.

Sem conseguir desprendê-lo, o arqueólogo deixou o sarcófago sob o sol escaldante do deserto durante dias, tentando amolecer o material com calor. As temperaturas, que chegavam a quase 65 graus Celsius, e até o uso de lâmpadas aquecidas não foram suficientes para alterar a resina solidificada.

Diante da frustração, Carter e os anatomistas Douglas Derry e Saleh Bey Hamdi optaram por um método radical: usar a força para libertar o faraó.

De acordo com Dobson ao Daily Mail, a autópsia improvisada resultou em danos profundos. Tutancâmon foi decapitado, os braços foram separados nos ombros, cotovelos e mãos, as pernas cortadas nos quadris, joelhos e tornozelos, e o tronco serrado da pélvis.

Facas aquecidas ao fogo, cinzéis e martelos foram empregados para partir a múmia em mais de uma dúzia de fragmentos, permitindo retirar o corpo, a máscara dourada e as joias que estavam incrustadas na resina petrificada.

Carter jamais mencionou esse procedimento em seus livros sobre a descoberta, omissão que hoje é vista como uma tentativa de esconder o caráter brutal da operação.

Após o desmembramento, todas as partes do corpo foram revestidas com parafina quente para evitar deterioração e, posteriormente, coladas novamente com resina, numa reconstrução feita para simular integridade física.

Fotografias preservadas pelo Instituto Griffith, em Oxford, mostram a dimensão real da destruição, contradizendo a narrativa heroica construída em torno de Carter e de sua missão arqueológica.

Maldição de Tutâcamon

Essas revelações reacenderam também o mito da Maldição do Faraó, que ganhou força após mortes misteriosas envolvendo membros da expedição. A mais famosa delas foi a de Lord Carnarvon, financiador de Carter, morto por septicemia dias após visitar a tumba.

A coincidência alimentou especulações que atravessaram décadas, embora Carter tenha negado até o fim da vida qualquer relação entre a maldição e os eventos que cercaram a descoberta.

Hoje, pesquisadores debatem se Carter tinha alternativas mais respeitosas ou se, considerando as limitações tecnológicas da década de 1920, sua decisão era inevitável.

Para alguns, como o egiptólogo Aidan Dodson, Carter fez o que qualquer arqueólogo da época faria. Para outros, como Eleanor Dobson, o caso deve ser revisitado como um marco de reflexão ética — lembrando que, por trás da glória arqueológica, houve também violência, silêncio e um corpo real, fragmentado para satisfazer a urgência do mundo moderno por descobertas espetaculares.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.