Bibury, a vila que lida com maldição de ser a mais bonita do mundo
Entenda por que fama conquistada por vila inglesa tem sido considerada uma "faca de dois gumes"

Bibury, uma pitoresca vila localizada em Cotswolds, na Inglaterra, tem atraído cada vez mais atenção internacional por sua beleza singular. Recentemente, a revista Forbes colocou a localidade no topo de sua lista das “50 aldeias mais bonitas do mundo“, destacando suas casas de pedra dourada do século 17, conhecidas como Arlington Row, e o sereno rio Coln, que corta a paisagem com um charme bucólico.
Mas engana-se quem pensa que o fascínio por Bibury é algo recente. Na verdade, já no século 19 o belo vilarejo havia chamado a atenção de William Morris, figura central do movimento Arts and Crafts (em português, Artes e Ofícios). Na época, o artista chegou a descrever Bibury como “a vila mais bonita da Inglaterra”. Não é surpresa, portanto, que milhares de turistas se desloquem todos os anos para testemunhar de perto esse cenário idílico.
No entanto, o mesmo título que traz orgulho também tem gerado grandes dores de cabeça para os moradores. Como apontou Craig Chapman, presidente do Conselho Paroquial de Bibury, a fama recém-adquirida funciona como uma “faca de dois gumes”. Isso porque a população local, que não ultrapassa 700 habitantes, vê-se diante de uma verdadeira invasão turística, especialmente aos finais de semana, quando até 20 mil visitantes podem passar pela vila.
Problemas enfrentados
Em razão dessa grande quantidade de pessoas, problemas sérios se acumulam: congestionamentos provocados por grandes ônibus de turismo, filas intermináveis, bloqueio de estradas estreitas e até incidentes mais graves, como o caso de um morador que teve o pé atropelado por um Range Rover durante uma disputa por vaga de estacionamento.

Como destaca o portal Independent, as queixas se intensificam porque Bibury não possui a infraestrutura necessária para lidar com esse fluxo. A estrada principal que atravessa a vila é estreita, e a ponte sobre o rio Coln só permite a passagem de um veículo por vez.
Consequentemente, em dias de maior movimento, ambulâncias e serviços de emergência enfrentam dificuldades para circular, o que preocupa os moradores. Soma-se a isso o fato de que os turistas muitas vezes ignoram regras básicas de convivência, estacionando ilegalmente ou até mesmo escalando muros privados em busca da “foto perfeita” para compartilhar nas redes sociais.
A questão é muito sobre os mecanismos pelos quais as pessoas vêm para a aldeia e quando vêm aqui, como se comportam, onde estacionam’, disse o presidente do conselho, à BBC Radio Gloucestershire.
Medidas adotadas
Diante da situação, algumas medidas já começaram a ser adotadas. Em maio, foram introduzidas restrições ao tráfego de ônibus de grande porte, e autoridades locais pediram aos visitantes que utilizem veículos menores ao viajar para a vila.
Chapman, apesar de reconhecer a honra de estar no topo da lista mundial, reforça a necessidade de encontrar um equilíbrio: é preciso que turistas e moradores convivam em harmonia, de modo que a beleza de Bibury continue sendo apreciada sem comprometer a qualidade de vida da comunidade local. A experiência da vila reflete um dilema cada vez mais comum em destinos mundialmente famosos, como Oia, em Santorini, e Hallstatt, na Áustria, que enfrentam os mesmos desafios do turismo em excesso.