Tumba de Tutancâmon corre risco de desabar por falhas estruturais
Com o aumento da umidade no local, maior descoberta arqueológica do século 20 agora enfrenta riscos de colapso total e desperta a preocupação de arqueólogos

Um novo estudo da Universidade do Cairo (Egito) revelou que a tumba de Tutancâmon apresenta fissuras que atravessam o teto da entrada e das câmaras funerárias. A água da chuva tem conseguido penetrar pelo local, corroendo a pedra e colocando em risco a integridade do túmulo.
A estrutura foi construída em xisto de Esna, pedra que se expande e contrai conforme a umidade, o que fez com que surgisse o aumento da água no interior. Especialistas alertam para o risco real de colapso total.
O faraó jovem
O túmulo, parte da maior descoberta arqueológica do século 20, foi construído para o faraó Tutancâmon, da décima oitava dinastia egípcia. Ele governou entre 1332 e 1323 a.C., era filho de Akhenaton, assumiu o trono aos nove ou dez anos e morreu aos 18, sem que a causa de sua morte seja totalmente definitiva até hoje.
A tumba foi descoberta em 1922 pelo egiptólogo inglês Howard Carter, sob supervisão do Conde de Carnarvon. Degraus que levavam à câmara funerária foram encontrados em novembro, e meses depois o sarcófago do faraó foi aberto. A catalogação dos milhares de objetos levou cerca de 10 anos.
Os túmulos reais no Vale dos Reis exigem intervenção urgente e estudos científicos precisos para analisar os riscos e como mitigá-los”, afirmou Sayed Hemada, autor do estudo e professor de Preservação do Patrimônio Arquitetônico na Universidade do Cairo, ao “Daily Mail”.
Alerta de especialistas sobre preservação
O Vale dos Reis reúne dezenas de tumbas da realeza, e a de Tutancâmon é uma das menores. Apesar de resistirem por milhares de anos, sua geologia as torna vulneráveis a enchentes. Hemada explica que chuvas fortes podem arrastar pedras, detritos e solo, aumentando o perigo. O evento mais grave ocorreu em outubro de 1994, quando várias tumbas ficaram submersas, conforme repercutido pela Revista Extra/Globo, destacando a necessidade de cuidados estruturais.
Segundo especialistas, a tumba de Tutancâmon não deve desabar imediatamente, mas os danos atuais podem reduzir sua durabilidade se não houver medidas de preservação adequadas.