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Como povos adaptaram suas dietas na Polônia pré-histórica?

Pesquisadores reconstruíram três mil anos de bases alimentares e economia na região centro-norte da Polônia

Esqueleto de uma mulher da Idade de Bronze - Créditos: Adriana Romanska (AMU)

Os pesquisadores rastrearam como as comunidades se adaptavam entre 4100 e 1230 a.C a partir da reconstrução de três mil anos de dieta e economia na Cujávia, na Polônia.

O projeto analisou 84 exemplares do Neolítico Médio à Idade do Bronze Média, cada pessoa foi datada diretamente por radiocarbono e mediram isótopos estáveis de carbono e nitrogênio no colágeno ósseo humano. Ossos de animais e cereais também foram analisados para contextualizar a dieta humana dentro dos sistemas locais.

Devido a casas de madeira leve terem se deteriorado, o solo danificou restos orgânicos e fez com que a região oferecesse poucos túmulos ricos ou com assentamentos preservados. A análise científica de ossos e restos vegetais ajudou a fornecer um retrato detalhado da subsistência diária ao longo de mudanças culturais.

Os agricultores do Neolítico Médio e Tardio dependiam de cereais e gado. Os isótopos dos grãos carbonizados apresentaram altos níveis de nitrogênio, um sinal de adubação intensiva, aumentando a assinatura de nitrogênio nas culturas e em seus consumidores. Pesquisas apontam que, provavelmente superestimaram o papel da proteína animal porque não levaram em conta os campos adubados. Os isótopos do gado indicam pastoreio em bosques, em vez de pastagens abertas, mostrando que eles ocorriam em diversas áreas ecológicas.

Isótopos dos gados da Cultura do Vaso indicam o uso de bordas de florestas e vales de rios, áreas fora dos solos mais férteis indicando que eles seguiam um padrão diferente. Com o tempo, a dieta da comunidade foi mudando. Gerações anteriores mostraram valores mais próximos à comunidade agrícola vizinha, sugerindo interação e práticas compartilhadas após vários séculos.

Os níveis de nitrogênio variam entre os indivíduos, isso pode indicar um acesso desigual à proteína animal durante a Idade do Bronze. Embora os túmulos tivessem poucos objetos que indiquem posição social, as distinções sociais existiam mas deixaram poucos vestígios materiais.

Nova cultura

Uma nova cultura surgiu por volta de 1.200 a.C, uma planta C4 com um sinal de carbono distinto, o painço, apareceu na composição observada nos ossos humanos, mostrando uma absorção desigual. Algumas comunidades da Idade do Bronze Médio dependiam muito do painço, enquanto outras consumiam muito pouco, de acordo com a Archaeology News.

Além da agricultura, os costumes funerários também mudaram, alguns grupos voltaram aos túmulos comunitários, que eram usados por gerações, e outros enterraram pares em covas alongadas. A escolha alimentar e o ritual funerário evoluíram juntos.

Ao longo de três milênios, a agricultura mista persistiu, baseada em cereais e gado. As zonas de pastoreio mudaram, novas culturas foram surgindo, as comunidades locais se adaptaram às florestas, aos vales dos rios e às mudanças nos laços sociais à sua própria maneira. A análise fornece um nível detalhado dos artefatos, que raramente oferecem em regiões com má preservação.