Cometa criovulcânico explode e ganha forma de concha no espaço
Após erupção massiva, o cometa criovulcânico 29P/Schwassmann-Wachmann brilha 100 vezes mais e exibe uma rara e impressionante estrutura em espiral

O cometa criovulcânico 29P/Schwassmann-Wachmann surpreendeu a comunidade astronômica ao registrar uma de suas maiores explosões em 25 anos. O fenômeno, ocorrido no último dia 10 de fevereiro, aumentou a luminosidade do astro em 100 vezes. Além do brilho intenso, o evento criou uma estrutura de poeira e gás em formato de espiral, semelhante a uma concha de caracol.
Imagens capturadas por astrofotógrafos no Chile e nos Estados Unidos revelam que a nuvem de detritos, conhecida como coma, não se expandiu uniformemente.
De acordo com informações da revista Live Science, essa geometria exótica diferencia o cometa criovulcânico de outros objetos espaciais comuns. Segundo especialistas, a aparência de “fóssil gigante” no céu é um dos registros mais nítidos já feitos desse corpo celeste.
Dinâmica das erupções geladas
Com cerca de 60 quilômetros de diâmetro, o 29P pertence ao raro grupo dos “centauros”, que orbitam entre Júpiter e Saturno. Ao contrário de vulcões terrestres, este cometa criovulcânico expele o chamado criomagma — uma mistura gélida de gases e gelo. Esse material é ejetado quando a radiação solar aumenta a pressão interna no núcleo, forçando fendas na superfície.
De acordo com dados do portal Spaceweather.com, a forma de espiral indica que o interior do cometa está em rotação enquanto libera o material. Esse movimento faz com que os jatos sejam lançados de maneira irregular, criando o rastro curvo observado pelos telescópios.
O comportamento é similar ao do famoso “cometa do diabo”, que desenvolveu “chifres” em erupções passadas.
Observação e mistérios científicos
Embora o brilho máximo tenha ocorrido logo após a explosão inicial, uma nova atividade menor foi detectada no dia 15 de fevereiro. Atualmente, o cometa criovulcânico permanece visível com o auxílio de telescópios ou binóculos potentes na constelação de Leão. Astrônomos preveem que “réplicas” da erupção principal ocorram nas próximas semanas, mantendo o interesse científico elevado.
A frequência de explosões do 29P — cerca de 20 por ano — continua sendo um mistério para a ciência, já que ele recebe pouca radiação solar em sua órbita estável.
Paralelamente, entusiastas do céu devem ficar atentos a outros visitantes, como o cometa C/2024 E1, que também cruza o sistema solar este mês. Por fim, espera-se que em abril novos objetos se tornem visíveis até mesmo a olho nu.
*Sob supervisão de Éric Moreira