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Cientistas encontram microrganismos na névoa da Amazônia

Descoberta revela que o nevoeiro da Amazônia funciona como um “elevador biológico”, transportando bactérias e fungos

Amazônia
Vista aérea da floresta Amazônica - Pedro Vilela via Getty Images

Uma descoberta recente feita por cientistas na Amazônia revelou um fenômeno até então pouco compreendido: a existência de vida ativa dentro da névoa que se forma sobre a floresta. A pesquisa, realizada a partir de uma torre de 325 metros de altura, mostrou que o nevoeiro não é apenas vapor d’água suspenso no ar — ele também abriga microrganismos vivos capazes de sobreviver, se deslocar e potencialmente influenciar o ecossistema.

O estudo foi conduzido no Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO), uma estrutura instalada em área preservada da floresta. Foi ali, acima da copa das árvores, que os pesquisadores coletaram amostras de neblina e identificaram a presença de bactérias e fungos vivos nas gotículas suspensas no ar.

Névoa da Amazônia

A descoberta é considerada inédita porque, embora já se soubesse da presença de microrganismos em nuvens e partículas atmosféricas, esta é uma das primeiras evidências de que organismos vivos e ativos podem existir especificamente no nevoeiro amazônico.

Entre as espécies encontradas estão microrganismos conhecidos por atuar na decomposição de matéria orgânica, como a bactéria Serratia marcescens e o fungo Aspergillus niger. Esses organismos desempenham papel essencial na reciclagem de nutrientes da floresta, ajudando a sustentar o crescimento vegetal.

O aspecto mais intrigante da descoberta, no entanto, é o mecanismo pelo qual esses microrganismos são transportados. Segundo os cientistas, o nevoeiro funciona como uma espécie de “elevador invisível”, capaz de levar partículas biológicas do solo até camadas mais altas da atmosfera.

Esse processo ocorre principalmente durante a madrugada e o início da manhã. À noite, o ar úmido da floresta esfria e forma a neblina. Com o nascer do sol, correntes de ar ascendem e elevam essas gotículas, permitindo que os microrganismos sejam dispersos por diferentes regiões.

Além de transportar esses organismos, o próprio nevoeiro oferece condições favoráveis para sua sobrevivência. As gotículas de água funcionam como uma proteção contra radiação ultravioleta e desidratação, criando um ambiente temporário onde essas formas de vida conseguem permanecer ativas.

Os cientistas acreditam que esse fenômeno pode ter um papel importante na regeneração da floresta. Ao se deslocarem com a névoa, os microrganismos podem colonizar novas áreas, contribuindo para a decomposição de matéria orgânica e a redistribuição de nutrientes — processos fundamentais para a manutenção do ecossistema amazônico.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.