Cientistas descobrem o ‘limite’ da clonagem em mamíferos
Após 58 gerações de clonagem, camundongos utilizados para estudo falecem poucas horas depois de nascer; cientistas sugerem acúmulo de mutações genéticas

O estudo japonês lançado na última terça-feira, 24, na revista científica Nature Communications, anuncia o provável limite da clonagem em mamíferos. Estudo realizado com camundongos aponta para a 58° geração como limite para esse tipo de reprodução.
Embora não se saiba ao certo o que fez a clonagem “dar errado”, os estudiosos apontam que a reprodução em série acaba refletindo o mesmo efeito da duplicação de imagem por uma copiadora. Na primeira imagem se tem um resultado, levemente deteriorado, com consecutivas cópias a imagem se torna outra coisa completamente diferente.
A pesquisa
O estudo teve início em 2005, após o sucesso da equipe de clonar o primeiro roedor da história em 1997, com apenas 1 ano da ovelha Dolly. Sendo a clonagem realizada quando os pequenos roedores completavam 3 ou 4 meses. Ou seja, por ano, 3 ou 4 gerações de clones eram geradas.
Logo, nos últimos 20 anos, realizaram mais de 30.000 tentativas que resultaram em 1.200 camundongos. Até então a equipe acreditava que daria para clonar espécies em extinção e evitar seu desaparecimento.
Ponto de virada
Conforme a CNN, anos atrás o mesmo departamento de pesquisa havia publicado que a clonagem poderia ser feita indefinidamente. Porém, com o avanço dos estudos, os pesquisadores apontaram que a partir da 25° geração as mutações genéticas começaram a se acumular e as ninhadas diminuíram.
Dessa forma, as expectativas dos cientistas foram amplamente podadas. Comentou o autor principal do estudo, Teruhiko Wakayama, da Universidade de Yamanashi à AFP:
Acreditávamos que poderíamos criar um número infinito de clones. Por isso esses resultados são extremamente decepcionantes.”
A princípio, nos primeiros anos da pesquisa, a taxa de sucesso da clonagem girava em torno de 15%. No entanto, com o passar do tempo esse número baixava consideravelmente, chegando na 57° geração a 0,6%. Enquanto que na 58° geração todos morreram pouco depois de nascer.
Um olhar para o futuro
Cientistas afirmam que em determinado momento colocaram fêmeas clonadas para reproduzir sexuadamente e as falhas genéticas deram um “reset”. Wakayama aponta para aprimoramento no método de clonagem para garantir qualidade da reprodução assexuada.
Ainda em sua fala, Teruhiko Wakayama brincou que o lado bom dessa descoberta é que ao menos o “Ataque dos Clones” da Saga Star Wars seria impossível fora da ficção.
*Sob supervisão de Éric Moreira