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Cardeal foi visto com celular no bolso durante conclave de 2025, revela livro

Livro sobre a eleição do Papa Leão XIV relata que cardeal entrou com aparelho proibido na Capela Sistina, contrariando regras; entenda!

Cardeais durante missa antes do início do Conclave em 2025 / Crédito: Getty Images

Um episódio inusitado marcou o conclave que elegeu o Papa Leão XIV, realizado em maio do ano passado. Um dos cardeais participantes foi flagrado portando um telefone celular dentro da Capela Sistina, ambiente onde o uso de qualquer dispositivo de comunicação é estritamente proibido pelas normas de segurança do Vaticano. As informações foram divulgadas pela agência Reuters.

O caso é relatado no livro ‘The Election of Pope Leo XIV: The Last Surprise of Pope Francis’ (‘A eleição do Papa Leão XIV: a última surpresa do Papa Francisco’, em tradução livre), lançado no último domingo. A obra é assinada pelos correspondentes veteranos do Vaticano Gerard O’Connell e Elisabetta Piqué e reúne bastidores da escolha do novo pontífice.

A presença do aparelho chamou atenção por violar diretamente as regras de sigilo absoluto que regem o conclave. O processo de eleição papal ocorre sob rígido isolamento, e a Capela Sistina conta com sistemas específicos para bloquear sinais externos, justamente para impedir qualquer contato dos cardeais com o mundo exterior durante a votação.

De acordo com a apuração da Reuters, os próprios sistemas de segurança identificaram a emissão de sinal. O cardeal, descrito como “mais velho”, teria percebido que estava com o telefone no bolso e, ao notar a falha, entregou o dispositivo às autoridades responsáveis pelo controle do conclave.

O livro não divulga a identidade do religioso nem indica intenção deliberada de descumprir as normas. Segundo os autores, o episódio foi involuntário. A publicação afirma que o cardeal ficou “desorientado e angustiado” ao se dar conta da situação.

Vale mencionar que, pelas regras da Igreja, os cardeais estão impedidos de revelar detalhes sobre as votações e não podem manter qualquer forma de comunicação externa enquanto o conclave está em andamento. Ainda assim, é comum que, meses ou anos depois, jornalistas obtenham relatos autorizados que esclareçam aspectos dos bastidores do processo, repercute o UOL.

Como foi o conclave

O conclave ocorreu nos dias 7 e 8 de maio de 2025, após a morte do papa Francisco. Além do episódio envolvendo o celular, o livro apresenta informações sobre o andamento das votações. Segundo a obra, o cardeal norte-americano Robert Prevost despontou desde o início como um dos principais nomes e acabou eleito no quarto escrutínio, com ampla maioria de votos.

Prevost superou outros dois candidatos considerados fortes: o cardeal italiano Pietro Parolin e o filipino Luis Antonio Tagle. De acordo com o relato, durante o processo de votação, Tagle chegou a oferecer uma pastilha ao futuro papa para aliviar um incômodo na garganta.

Os autores avaliam que o caso do celular foi mais surpreendente do que situações retratadas em produções cinematográficas sobre a eleição papal, como o filme ‘Conclave’, lançado em 2024. Para eles, o episódio simboliza a presença constante da tecnologia no cotidiano contemporâneo, inclusive em rituais marcados por tradições seculares e normas rígidas de confidencialidade.

Embora o incidente não tenha comprometido o resultado da eleição, o registro do ocorrido revela os desafios de manter o isolamento absoluto em um contexto em que dispositivos móveis fazem parte da rotina. O conclave que escolheu o Papa Leão XIV, segundo a obra, combinou tradição, expectativa e episódios inesperados nos bastidores da decisão.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.