Canoa de meio século é descoberta na Flórida graças a furacão
Feita em madeira de mogno, canoa com marcas de ferragens pode remontar ao século 16 e indicar contato com o Caribe

Durante trabalhos de limpeza realizados em Fort Myers, no sudoeste da Flórida, um morador fez uma descoberta arqueológica notável: uma canoa antiga de madeira foi desenterrada após os danos causados pelo furacão Ian em 2022.
O artefato mede cerca de 2,7 metros de comprimento e está sob análise dos arqueólogos estaduais da Flórida. O que mais chama a atenção é o material: a embarcação foi feita em mogno, uma madeira não nativa da região, o que sugere que tenha origem caribenha ou que tenha sido fruto de trocas culturais e comerciais. Caso essa hipótese se confirme, será a primeira canoa encontrada no estado com essas características.
Outro detalhe intrigante são as marcas deixadas sobre a madeira. Pesquisadores identificaram vestígios de cortes feitos com ferramentas de ferro, algo que aponta para um período posterior ao contato europeu, já que os povos indígenas da região utilizavam instrumentos de pedra, ossos ou conchas antes da colonização.
Canoa misteriosa
Apesar das evidências, ainda é difícil determinar com precisão a idade da peça. Testes de datação por carbono apresentaram resultados inconclusivos ou mais antigos do que o esperado. Parte dessa dificuldade pode estar relacionada ao tratamento superficial da madeira ao longo dos séculos ou ao fato de que o material datado seja mais velho do que o momento em que a canoa foi efetivamente construída.
A descoberta se soma a um rico acervo arqueológico do estado. A Flórida já possui mais de 450 canoas históricas registradas em mais de 200 sítios, muitas delas associadas aos povos Miccosukee e Seminole, que habitaram extensas áreas alagadas e utilizaram embarcações desse tipo como principal meio de transporte.
Graças ao ambiente úmido de rios, lagos e pântanos, muitas dessas canoas foram preservadas por séculos em condições submersas. Atualmente, a nova peça está guardada em uma instalação arqueológica estadual, onde especialistas prosseguem com análises comparativas.
A descoberta não apenas contribui para a compreensão das práticas de navegação e contato cultural na região, como também abre novas pistas sobre as conexões entre povos nativos da Flórida e do Caribe durante os primeiros séculos de colonização europeia.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli