Ativista adolescente Barbara Rose Johns recebe estátua em homenagem no Capitólio dos EUA
Ativista adolescente dos direitos civis, que protestou contra a segregação escolar na década de 1950, Barbara Rose Johns recebeu estátua em homenagem no Capitólio dos EUA

Em 23 de abril de 1951, uma adolescente negra na Virgínia uniu seus colegas em uma manifestação contra as precárias condições de sua escola segregada. A mobilização, liderada pela ativista adolescente Barbara Rose Johns, de apenas 16 anos, foi um passo crucial que contribuiu para o fim da segregação escolar nos Estados Unidos.
Mais de setenta anos depois, o legado de Johns é celebrado com a inauguração de uma nova estátua no Capitólio dos EUA. Em 16 de dezembro, legisladores se reuniram para a cerimônia que marcou a revelação da escultura em bronze de 3,35 metros, criada pelo artista de Maryland, Steven Weitzman.
A estátua retrata a jovem Barbara ao lado de um púlpito, erguendo um livro acima da cabeça. Sua expressão indica que está em plena fala. A base da escultura exibe a frase: “Vamos simplesmente aceitar essas condições ou faremos algo a respeito?” A citação é acompanhada por um versículo do Livro de Isaías: “E uma criança os guiará.”
O monumento foi inicialmente revelado na Emancipation Hall, uma área dentro do Centro de Visitantes do Capitólio dos EUA, que abriga diversas estátuas. Em breve, será transferido para o Capitol Crypt, onde se juntará a outras estátuas representando os primeiros 13 estados.
De acordo com o National Statuary Hall Collection, cada estado tem a prerrogativa de escolher duas personalidades para serem homenageadas com estátuas no Capitólio. Até recentemente, uma das homenagens da Virgínia era ao general confederado Robert E. Lee. Essa estátua foi removida em dezembro de 2020 a pedido do então governador da Virgínia, Ralph Northam.
Após uma cuidadosa avaliação entre diversas figuras influentes da Virgínia, os líderes do estado concordaram em substituir Lee pela figura de Johns. Joan Johns Cobbs, irmã mais nova de Barbara, comentou em março de 2024 à VPM sobre essa escolha: “Acho que a Virgínia está tentando corrigir algumas de suas injustiças. O fato de terem escolhido ela foi uma forma de tentar retificar o que aconteceu no passado.”
A outra estátua representando a Virgínia é a do primeiro presidente dos Estados Unidos e pai fundador George Washington. Cainan Townsend, que dirige o Moton Museum na antiga escola de Johns, afirmou ao Washington Post que associar Johns a Washington é uma justaposição “realmente muito impactante”.
Barbara Rose Johns
Nascida em Nova York em março de 1935, Barbara se mudou para a Virgínia durante a Segunda Guerra Mundial. Ao ingressar na Robert Russa Moton High School em Farmville, ficou alarmada com as condições adversas enfrentadas pelos estudantes negros. Enquanto isso, as escolas para brancos na mesma região contavam com ônibus confortáveis e salas aquecidas e bem equipadas.
Diante das disparidades gritantes, Barbara decidiu agir. Na primavera de 1951, conseguiu mobilizar todos os 450 alunos da escola para uma greve estudantil em prol dos direitos civis que durou cerca de duas semanas.
A manifestação inspirou advogados da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP) a processar o condado na justiça federal. O caso foi posteriormente combinado com outros processos similares como Brown v. Board of Education, culminando na decisão histórica da Suprema Corte dos EUA em 1954 que declarou inconstitucional a segregação nas escolas.
No entanto, a integração escolar foi um processo lento e complexo; as escolas públicas do Condado de Prince Edward não foram oficialmente integradas até 1964 após um fechamento prolongado como forma de protesto contra essa decisão, conforme repercute a Smithsonian Magazine.
Barbara Johns teve que deixar sua cidade natal por questões de segurança e completou seus estudos no Alabama. Após se formar, frequentou Spelman College e Drexel University e trabalhou como bibliotecária nas Escolas Públicas da Filadélfia. Ela também formou uma família e criou cinco filhos antes de falecer em 1991 aos 56 anos.
Durante a cerimônia de inauguração da estátua, Terry Harrison, uma das filhas de Barbara, expressou à NPR gratidão pela homenagem: “Nós a conhecíamos como Barbara Powell: esposa de pastor, mãe, bibliotecária. Mas a essência de quem ela era aos 16 anos permaneceu. Ela era corajosa, ousada, determinada, forte, sábia, altruísta, carinhosa e amorosa.”
Harrison acrescentou: “Estamos verdadeiramente gratos por este magnífico monumento à sua história, aos sacrifícios que sua família e sua comunidade fizeram, poder continuar a inspirar e ensinar a outros que, não importa o que aconteça, você também pode alcançar a lua.”