Artemis II: tripulação teve que contornar três falhas
Após seu lançamento a missão Artemis II apresentou falhas técnicas e desafios operacionais; tripulantes tiveram que auxiliar na manutenção

A missão Artemis II foi lançada nesta quarta-feira, 1, inaugurando uma nova fase de exploração espacial ao realizar uma missão tripulada à órbita da Lua pela primeira vez desde 1972.
O voo de teste foi projetado para validar sistemas críticos que irão sustentar futuras tentativas de pouso e possivelmente a construção de uma presença humana permanente no satélite, informou a revista Galileu.
A cápsula Orion e o foguete SLS, são os mais potentes já usados para transportar humanos nas missões. Ambos reúnem tecnologias inéditas que podem ir desde sistemas de suporte à vida até infraestrutura energética fornecida pelo Módulo de Serviço Europeu. Apesar disso, pequenas falhas sempre são esperadas, fazendo parte do processo de teste e a Artemis II apresentou três delas.
Problemas de comunicação
Um dos pontos mais críticos das missões ao espaço profundo, a confiabilidade do sistema de telecomunicações, foi evidenciado após a perda momentânea de comunicação com a cápsula Orion. A trajetória até a Lua possui desafios como a geometria orbital e a necessidade de alternar frequentemente as estações de rastreamento na Terra.
O jornal El País lembra que fatores como a interferência eletromagnética e bloqueios de sinal pela estrutura da nave podem contribuir com as falhas temporárias durante o lançamento. A missão Artemis II usa arquiteturas com múltiplos canais, antenas e frequências.
Apesar disso, a falha sugere lacunas na transição entre sistemas ou em sua calibração, esse ocorrido testa a autonomia da tripulação, que precisa estar preparada para comandar a nave de acordo com os protocolos pré-estabelecidos.
Falhas como essa, podem se tornar uma oportunidade de aprimorar sistemas e procedimentos, principalmente por Artemis II ser um voo teste. A NASA deve utilizar os dados de uma análise detalhada para identificar a origem do problema e aumentar a robustez das futuras missões tripuladas à Lua.
Falha no banheiro
Poucas horas após o lançamento, os astronautas identificaram um problema no ventilador do sistema sanitário, componente essencial para o funcionamento do equipamento em microgravidade.
Na Terra, a gravidade conduz os resíduos. No espaço, o fluxo de ar que desempenha esse papel. Sem ele existe o risco de dispersão de partículas dentro da cabine, que pode comprometer a higiene e a segurança da tripulação, destacou o site Astronomy.
Essa falha exigiu o uso temporário de dispositivos de contingência, já que ela impediu especificamente o uso do sistema para urinar.
A tripulante Christina Koch executou procedimentos técnicos detalhados, incluindo a desmontagem parcial do sistema, enquanto engenheiros do solo monitoraram e ajustaram parâmetros remotamente. A operação coordenada fez o reparo ser concluído em seis horas.
Falhas digitais
Além dos outros problemas, a missão apresentou falhas no campo digital, os sistemas de computador a bordo apresentaram falhas, incluindo um erro no programa usado no laptop da tripulação, o Microsoft Outlook. Novamente, a equipe de solo precisou agir, acessando de forma remota os dispositivos para a correção do problema.
O incidente revela a dependência de programas usados na Terra em ambientes extremos levanta discussões sobre a robustez, segurança e padronização tecnológica em missões espaciais de longa duração, segundo a revista Galileu.
Apesar dos contratempos, os sistemas principais funcionaram de forma adequada, incluindo a implantação dos painéis solares e a manutenção das condições de vida a bordo. Os problemas que a missão apresentou cumpre o que foi proposto, expor as vulnerabilidades antes que elas se tornem um risco em missões futuras.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes