Artemis II: astronauta resolve falha no banheiro e se torna ‘encanadora espacial’
Astronautas da missão Artemis II enfrentaram uma falha no sistema sanitário da Orion; que foi solucionado por Christina Koch, mais nova "encanadora espacial"

A missão Artemis II, da NASA, enfrentou um problema técnico nas primeiras horas após deixar a órbita da Terra, envolvendo o sistema sanitário da cápsula Orion. A falha, detectada por um alerta luminoso no painel de controle, mobilizou tanto a tripulação quanto as equipes em solo, mas foi solucionada após procedimentos de diagnóstico e ajustes conduzidos em conjunto.
Responsável pelo reparo, a astronauta Christina Koch comentou o episódio em um vídeo divulgado pela agência espacial nesta sexta-feira, 3. “Sou a encanadora espacial. Tenho orgulho de me chamar de encanadora espacial”, afirmou, ao relatar sua atuação na correção do sistema. Durante o registro, os quatro tripulantes aparecem flutuando no interior da nave enquanto discutem a ocorrência.
O problema foi identificado pouco antes de uma das manobras orbitais iniciais, quando um indicador apontou falha no Universal Waste Management System (UWMS), responsável pela coleta e armazenamento de resíduos a bordo. De acordo com a NASA, tratava-se de uma falha de controle no equipamento. A equipe de Houston analisou os dados em tempo real e orientou a tripulação na execução dos testes necessários.
“Foi uma falha pontual, provavelmente relacionada ao tempo em que o sistema ficou inativo — ele precisou de um período de aquecimento, uma espécie de ajuste inicial”, explicou Koch. Enquanto o sistema apresentava instabilidade, os astronautas recorreram a protocolos de contingência, utilizando bolsas especiais para coleta de urina. O uso do sistema para resíduos sólidos, no entanto, permaneceu disponível.
Seguindo as instruções do controle da missão, Koch conseguiu restabelecer o funcionamento do equipamento após algumas horas. O ventilador, peça essencial para o funcionamento do sistema em ambiente de microgravidade, voltou a operar normalmente. “No começo, pensamos que poderia haver algo atrapalhando o motor — e, felizmente, está tudo funcionando perfeitamente”, concluiu a astronauta.
Saindo da órbita terrestre
A resolução do problema ocorreu pouco antes de uma etapa crucial da missão: a manobra de injeção translunar. Executada com sucesso na noite de quinta-feira, 2, a operação consistiu no acionamento do motor principal da Orion para retirá-la da órbita terrestre e colocá-la em trajetória rumo à Lua, repercute o g1.
A manobra, considerada decisiva, foi autorizada após verificação completa das condições da nave e de seus sistemas. A decisão final coube aos controladores de voo no Centro Espacial Johnson, em Houston, após sinal verde da equipe de gerenciamento da missão. Segundo a NASA, este foi o último grande acionamento de motor previsto durante a viagem.
Com a conclusão da injeção translunar, a cápsula entrou na chamada trajetória de retorno livre, um percurso que utiliza a gravidade lunar para levar a nave até a Lua e trazê-la de volta à Terra sem necessidade de novas grandes manobras.
“A manobra de injeção translunar foi concluída com sucesso. A tripulação da Artemis II está oficialmente a caminho da Lua”, afirmou o chefe da NASA, Jared Isaacman.
Após a operação, os astronautas relataram estar em boas condições e demonstraram entusiasmo com o progresso da missão. A nave já se encontra a cerca de 1.600 quilômetros da Terra, avançando em direção ao espaço profundo. “Estamos nos sentindo muito bem aqui, a caminho da Lua”, disse o astronauta canadense Jeremy Hansen, integrante da tripulação.