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Arqueólogos encontram pingente de dente de foca de 15 mil anos

Pesquisa com o pingente de dente de foca inédito na Grã-Bretanha aponta uso por décadas e forte ligação da cultura magdaleniana com o mar

Pesquisadores do University College London e do Museu de História Natural analisam pingente em forma de dente de foca magdaleniana / Créditos: Conselho de Curadores do Museu de História Natural de Londres

Uma análise científica detalhada conduzida pelo University College London e pelo Museu de História Natural revelou que um pingente polido, feito de um dente de foca, é o primeiro artefato desse tipo encontrado na Grã-Bretanha.

A peça foi originalmente localizada na Caverna de Kent, em Torquay, e pertence à cultura Magdaleniana, uma “civilização” que dominou a Europa Ocidental entre 21.000 e 13.000 anos atrás.

A joia, um pré-molar de foca cinzenta perfurado por uma ferramenta de sílex, apresenta um desgaste tão acentuado no orifício que sugere ter sido utilizada por décadas. Segundo os arqueólogos, o item pode ter sido uma valiosa herança de família, transmitida por gerações.

Conexão cultural com o mar

O achado reforça a tese de que os magdalenianos mantinham uma forte ligação com o oceano, mesmo vivendo no interior. Na época, o litoral ficava a cerca de 100 milhas da caverna. O transporte do dente teria sido facilitado por uma via navegável hoje desaparecida, chamada de Rio do Canal, que conectava o Tâmisa e o Sena ao Atlântico.

De acordo com informações repercutidas pelo jornal The Independent, essa sociedade era extremamente preocupada com a estética. Além do dente de foca, milhares de conchas marinhas já foram encontradas em outros sítios continentais, usadas como adornos em roupas, pulseiras e colares.

Complexidade e tecnologia

Além disso, as sofisticação magdaleniana ia além da moda. As pesquisas indicam que eles foram possivelmente os primeiros europeus a desenvolver tecnologia náutica e a utilizar cães domesticados para otimizar a caça.

O grupo também estabeleceu redes de comércio de longa distância, importando conchas do Mediterrâneo para regiões onde hoje ficam a Alemanha e a República Checa.

O pingente oferece um vislumbre notável da vida simbólica e social das pessoas de mais de 14.000 anos atrás”, afirmou Simon Parfitt, pré-historiador do UCL e autor principal do estudo ao The Independent.

Para a Dra. Silvia Bello, do Museu de História Natural, a descoberta adiciona uma nova dimensão às práticas simbólicas compartilhadas na Europa da Idade da Pedra. O estudo completo sobre o artefato será publicado ainda esta semana no periódico Quaternary Science Reviews.


*Sob supervisão de Éric Moreira