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Pequeno forte romano é descoberto ao lado da Muralha de Antonino, na Escócia

Arqueólogos identificaram restos de um pequeno forte romano construído junto à Muralha de Antonino, antiga fronteira militar do Império Romano, na Escócia

Reconstrução de como teria sido o forte romano recém-descoberto na Escócia / Crédito: Divulgação/Eduardo Pérez-Fernández

Arqueólogos identificaram na Escócia os vestígios de um pequeno forte romano construído próximo a uma antiga linha defensiva do Império Romano. A estrutura foi localizada nas proximidades da Muralha de Antonino, fortificação erguida no século 2 para delimitar o território sob controle romano na região.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Guard Archaeology, que encontraram os restos da construção em Bearsden, cidade situada a cerca de 8 quilômetros a noroeste de Glasgow. A área onde o forte foi identificado corresponde atualmente aos jardins de três residências particulares.

Conhecida como uma das principais fronteiras militares romanas na Britânia, a Muralha de Antonino atravessava parte da Escócia por cerca de 62 quilômetros. A estrutura foi construída principalmente com turfa e outros materiais terrosos a partir do ano 142 d.C., por ordem do imperador Antonino Pio. Seu objetivo era separar o sul da Escócia — território conquistado pelos romanos — das regiões ao norte, que permaneciam fora de seu domínio.

Ao longo dessa linha defensiva existia uma rede de instalações militares, incluindo fortes, fortins, acampamentos, banhos públicos e uma estrada militar utilizada para o deslocamento rápido de tropas e suprimentos. No entanto, a muralha teve uso relativamente breve: por volta de 165 d.C., as forças romanas recuaram para a Muralha de Adriano, localizada mais ao sul, no norte da Inglaterra.

Fortificação estratégica

Segundo análises realizadas pelos arqueólogos, a fortificação recém-identificada foi construída entre meados do século 2 e o século 3 d.C., conforme indicou a datação por radiocarbono. A posição do forte, erguido no lado sul da Muralha de Antonino, oferecia uma localização estratégica.

De acordo com os pesquisadores, o local ficava em uma “área elevada bem ao lado da Muralha de Antonino”, destacam em comunicado. “Ela tinha vistas panorâmicas da paisagem, particularmente para o norte, que estava fora do controle romano.”

Essa posição privilegiada permitiria aos soldados observar eventuais movimentações vindas das áreas não dominadas pelos romanos. O pequeno forte também possuía visão direta de outro forte romano próximo, o que sugere que poderia servir para alertar a guarnição em caso de aproximação de forças inimigas.

Estruturas desse tipo costumavam abrigar guarnições relativamente pequenas. Conforme destacaram os pesquisadores, muitos dos fortins instalados ao longo da Muralha de Antonino tinham capacidade para acomodar entre 20 e 50 soldados ao mesmo tempo.

A descoberta inicial do sítio arqueológico ocorreu em 2017, quando uma das residências da área passava por um levantamento arqueológico antes do início de obras no terreno. A partir dessa identificação preliminar, a equipe realizou escavações mais amplas que permitiram analisar melhor a estrutura do local.

Base de muralha do forte romano descoberto em Bearsden, na Escócia / Crédito: Divulgação/GUARD Archaeology Ltd

Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista Archaeology Reports Online. As escavações revelaram que o forte foi construído sobre uma base de pedra e que havia um fosso localizado logo do lado externo da fortificação, provavelmente utilizado como elemento defensivo adicional.

Com base nas evidências coletadas, os arqueólogos produziram uma reconstrução digital do local. O modelo sugere a existência de dois edifícios que poderiam servir de alojamento para a pequena guarnição militar, além de duas torres de vigia e uma série de fossos e muralhas destinados à proteção da posição, conforme repercute o Live Science.

Segundo os pesquisadores, a fortificação fazia parte de um sistema militar mais amplo estabelecido pelos romanos ao longo da fronteira escocesa. O pequeno forte provavelmente teria sido “parte integrante das defesas da Muralha Romana, que incluía fortes e fortinhos ao longo de toda a sua extensão”, escreveu a equipe arqueológica no artigo da revista.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.