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Arqueólogos descobrem ‘anfiteatro’ neolítico de 11 mil anos na Turquia

Estrutura arquitetônica neológica de 11.000 anos, parecida com um anfiteatro, foi descoberta no sudeste da Turquia; confira!

Estrutura semelhante com anfiteatro descoberta na Turquia / Crédito: Divulgação/Ministério do Turismo da Turquia

Uma descoberta notável foi anunciada pelo Ministério da Cultura e do Turismo da Turquia, na última quarta-feira, 26: uma estrutura arquitetônica neolítica que se assemelha a um anfiteatro foi encontrada por arqueólogos no sítio arqueológico de Karahan Tepe, localizado no sudeste do país.

As escavações que levaram a essa descoberta fazem parte do projeto denominado “Legado para o Futuro”, iniciativa promovida pelo ministério com o intuito de explorar e recuperar espaços e representações utilizados pelas primeiras comunidades neolíticas da região.

Conforme relatado por Necmi Karul, líder da equipe de escavação, o assentamento de Karahan Tepe remonta a aproximadamente 9.400 a.C. A equipe identificou três fases distintas de ocupação, cada uma delas caracterizada por diferentes tipologias de construções: a primeira fase apresenta estruturas circulares; a segunda, edificações quadrangulares com cantos arredondados; e a terceira, construções retangulares com ângulos retos.

Anfiteatro neolítico

A nova estrutura, que possui 17 metros de largura, é marcada por representações de figuras humanas sentadas, embutidas nas paredes. Para os arqueólogos envolvidos na pesquisa, esta descoberta pode indicar uma transição gradual do simbolismo animal para o humano nas expressões culturais daquela época.

Essas são descobertas muito singulares, que mostram que os povos pré-históricos se concentraram cada vez mais em figuras humanas ao longo do tempo, enquanto os períodos anteriores eram dominados pelo simbolismo animal”, comentou Karul em entrevista à agência de notícias Anadolu.

A estrutura também exibe assentos amplos dispostos em três níveis, sugerindo que foi projetada para encontros comunitários. Esse estilo arquitetônico é inédito na região e indica uma nova forma de organização social entre as comunidades antigas, conforme repercute a Revista Galileu.

À medida que as obras de restauração avançam e as pedras são reposicionadas em suas configurações originais, espera-se obter uma compreensão mais clara da estrutura. Segundo Karul, as evidências indicam que grandes grupos se reuniam no local, onde as figuras humanas e animais estavam dispostas estrategicamente: “se fosse um templo, sua função teria sido mais limitada. Portanto, a função principal parece ter sido a de reunir pessoas”.

Karul concluiu afirmando que “esse estilo arquitetônico continuou em períodos posteriores, na forma de outros anfiteatros. Com o advento da vida sedentária, surgiu a necessidade de espaços que facilitassem a vida comunitária, o que provavelmente levou à construção desses edifícios”.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.