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Templo oculto de 5.000 anos é descoberto no norte do Iraque

Estrutura monumental e artefatos do perído de Uruk, datados de 5.000 anos, foram achados em Kani Shaie, nas montanhas Zagros

A equipe do projeto de Kani Shaie, Missão 2025 / Créditos: Universidade de Coimbra

No Iraque, arqueólogos descobriram os restos de uma construção de 5.000 anos que teria sido usada como um “espaço oculto” ou templo para adoração. A descoberta foi realizada em setembro, no sítio arqueológico de Kani Shaie, na província de Sulaymaniyah, no norte do país, na parte inferior das montanhas Zagros.

De acordo com o comunicado da equipe de pesquisa, as últimas descobertas do projeto arqueológico podem oferecer novas perspectivas sobre a história antiga da Mesopotâmia e dos Montes Zagros.

A estrutura

O edifício encontrado data do período Uruk, entre 3300 e 3100 a.C., e recebeu esse nome em homenagem à cidade de Uruk, localizada no sul da Mesopotâmia.

Os pesquisadores responsáveis pela escavação afirmaram que a estrutura foi descoberta na parte superior de um monte de terra em Kani Shaie e que, pelo seu estilo arquitetônico, indicava ser uma construção oficial de algum tipo.

Se a natureza monumental deste edifício for confirmada — o que estamos agora investigando em detalhe — a descoberta poderá transformar a nossa compreensão da relação de Uruk com as regiões circundantes”, afirmaram os investigadores em comunicado.

A antiga cidade de Uruk

Uruk era uma cidade da Suméria (atual Iraque), considerada por muitos como a primeira cidade verdadeira do mundo. Ela foi um importante centro político, cultural e econômico.

Entre suas contribuições históricas estão os avanços na escrita cuneiforme, que é considerado um dos sistemas de escrita mais antigos e a invenção da roda.

O chamado período Uruk ficou marcado por esses avanços e pela ascensão da vida urbana e da civilização suméria.

Outros artefatos

Além dos restos da estrutura, a equipe encontrou antigos selos cilíndricos, associados à administração e ao poder político, e um pingente de ouro, que pode refletir uma forma de exibição social, conforme repercutido pela revista Live Science.

Os pesquisadores também descobriram antigos cones de parede, que eram detalhes decorativos feitos de cones de argila cozida ou pedra, pressionados com a ponta para baixo no gesso fresco das paredes. As partes planas dos cones eram pintadas, criando o efeito de um mosaico com desenhos geométricos.

Esses cones reforçam a hipótese de que o edifício era uma estrutura pública ou cerimonial.

Novas perspectivas

Ao contrário do que se acreditava, Kani Shaie, localizada a cerca de 480 quilômetros ao norte de Uruk, não era um local periférico durante o período de Uruk. As novas descobertas indicam que o assentamento fazia parte de uma extensa rede cultural e política que se estendia por toda a antiga Mesopotâmia.

Kani Shaie é considerado o sítio arqueológico mais importante a leste do rio Tigre para a compreensão da sequência da ocupação humana desde o início da Idade do Bronze até o 3º milênio a.C.”, afirmaram os pesquisadores.

Os arqueólogos trabalham no local desde 2013 e já encontraram evidências de ocupação de longa duração na região. Com mais estudos, a equipe espera revelar novos detalhes sobre a vida e a organização social da época.