Arqueólogos analisam dentes italianos da Idade do Ferro
Estudo de dentes do sítio de Pontecagnano oferece informações sobre infância, saúde e dieta das comunidades do período

Uma equipe de pesquisadores analisou dentes humanos e cálculo dentário de indivíduos que viveram no sítio arqueológico de Pontecagnano, no sul da Itália, durante a Idade do Ferro, aproximadamente entre os séculos VII e VI antes de Cristo. A análise microscópica dessas amostras permitiu aos cientistas reconstruir aspectos da vida cotidiana dessas pessoas, incluindo eventos de estresse na infância e padrões alimentares ao longo da vida.
Os pesquisadores, liderados por Roberto Germano da Universidade de Sapienza, examinaram o esmalte e a placa dentária de 30 dentes pertencentes a 10 indivíduos encontrados no local. O esmalte, que se forma durante os primeiros anos de vida, contém registros de interrupções no crescimento, o que indicou episódios de estresse fisiológico em torno de um e quatro anos de idade — períodos em que mudanças de alimentação e maior suscetibilidade a doenças eram comuns.
Dentes pré-históricos
A análise do cálculo dentário por sua vez revelou componentes de uma dieta diversificada. Nos resíduos presos nos dentes foram identificados traços de carboidratos, como cereais e leguminosas, além de indícios de alimentos e bebidas fermentadas, sugerindo que os adultos daquela comunidade consumiam uma variedade de alimentos disponíveis localmente e possíveis produtos fermentados.
Essas evidências estão alinhadas com a ideia de que as populações da península itálica naquela época já exploravam uma riqueza de recursos alimentares, muitos dos quais são reconhecidos como parte da culinária mediterrânea tradicional.
Segundo os autores do estudo, a combinação de diferentes métodos de análise dental — incluindo observação dos padrões de crescimento no esmalte e a identificação de restos de alimentos na placa — oferece uma visão mais completa sobre saúde, infância e escolhas alimentares dessas populações antigas. Eles destacam que dentes humanos são fontes valiosas de informações porque se preservam bem ao longo de séculos e registram sinais físicos ligados tanto à saúde quanto à dieta.
Embora o número de indivíduos analisados ainda seja relativamente pequeno para representar toda a população de Pontecagnano naquele período, os resultados mostram como técnicas bioarqueológicas podem revelar detalhes íntimos da vida de pessoas que viveram há milhares de anos, indo além de simples listas de artefatos. Futuras pesquisas com amostras maiores e análises adicionais, como estudos isotópicos, podem ampliar ainda mais o entendimento sobre como essas comunidades se adaptaram a seus ambientes e recursos.