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Arqueólogo celebrou morte ligada à maldição de Tutancâmon

Carta mostra que Howard Carter considerava a teoria da maldição uma invenção sensacionalista, e chegou a comemorar morte de jornalista

Howard Carter observando o sarcófago de Tutancâmon / Crédito: Getty Images

Uma carta recém-descoberta trouxe à tona um lado pouco conhecido da história por trás de uma das maiores lendas da arqueologia: a chamada “maldição de Tutancâmon”. O documento revela que o arqueólogo britânico Howard Carter, responsável pela descoberta da tumba do faraó em 1922, chegou a comemorar a morte de um jornalista que ajudou a popularizar o mito.

O alvo das críticas era Arthur Weigall, um egiptólogo que atuava como correspondente e que passou a difundir a ideia de que a tumba estaria amaldiçoada. Em uma carta escrita em 1934, Carter descreveu a morte de Weigall como “uma verdadeira bênção”, acusando-o de inventar histórias sem fundamento e prejudicar a credibilidade da arqueologia.

Carta de Howard Carter datada de 1934 – BNPS/RRAuction

A rivalidade entre os dois tem origem direta na descoberta da tumba de Tutancâmon, considerada um dos maiores achados arqueológicos do século XX. Na época, Carter e seu patrocinador, Lord Carnarvon, fecharam um acordo exclusivo com o jornal The Times para divulgar informações sobre a escavação. A decisão irritou outros veículos — entre eles o jornal para o qual Weigall trabalhava.

Pouco depois da abertura da tumba, um episódio ajudou a alimentar o mito. Carnarvon morreu cerca de seis semanas após entrar no local, vítima de uma infecção decorrente de uma picada de mosquito. A coincidência foi explorada por Weigall, que passou a escrever artigos sugerindo que uma força sobrenatural punia aqueles que perturbavam o descanso do faraó.

Howard Carter na tumba de Tutancâmon / Crédito: Domínio Público

Maldição de Tutâncamon

A narrativa rapidamente ganhou força, impulsionada pelo fascínio popular e pelo sensacionalismo da imprensa. Mortes e doenças de pessoas ligadas à escavação passaram a ser associadas à suposta maldição, mesmo sem evidências concretas. Décadas depois, estudos mostraram que não havia qualquer inscrição de maldição na tumba e que a maioria dos envolvidos viveu por muitos anos após a descoberta.

Carter sempre rejeitou a ideia. Para ele, a “maldição de Tutancâmon” não passava de uma invenção midiática, criada para gerar impacto e audiência. Na carta, ele reforça essa posição ao afirmar que as histórias divulgadas por Weigall eram “sem base” e representavam uma ameaça ao trabalho científico.

O documento, que veio à tona décadas após ter sido escrito, também revela o nível de tensão entre arqueólogos e jornalistas na época — especialmente em torno de uma descoberta que capturou a imaginação do mundo inteiro. Mais do que uma disputa pessoal, o episódio ilustra o conflito entre ciência e sensacionalismo em um momento em que a arqueologia começava a se tornar um espetáculo global.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.