Após críticas, McDonald’s remove campanha de Natal criada por IA
O vídeo de 45 segundos, feito com clipes gerados por IA e lançado na Holanda, recebeu críticas por visual estranho e possível impacto sobre empregos criativos

A nova campanha de Natal do McDonald’s não repercutiu bem. O anúncio feito com Inteligência Artificial (IA) recebeu fortes críticas online, levando a rede de fast food a retirar a propaganda do ar.
Com 45 segundos de duração, o vídeo utilizava clipes gerados por IA. Antes da repercussão negativa, ele podia ser visto no canal do McDonald’s Holanda no YouTube, onde havia sido publicado em 6 de dezembro.
Reação nas redes
Em comentários na rede social X, espectadores fizeram diversas críticas e denunciaram o uso de IA nos clipes. Além disso, postagens como “o anúncio mais horrível que vi este ano” ainda seguem visíveis na plataforma.
McDonald’s unveiled what has to be the most god-awful ad I’ve seen this year – worse than Coca-Cola’s.
Fully AI-generated, that’s one. Looks repulsive, that’s two. More cynical about Christmas than the Grinch, that’s three.
I don’t wanna be the only one suffering, take a look: pic.twitter.com/lRYODLkkBJ
— Theodore McKenzie (@realTedMcKenzie) December 6, 2025
Por conta da grande repercussão negativa, na terça-feira, 9, o McDonald’s Holanda decidiu remover o vídeo. Segundo informações repercutidas pela BBC, em comunicado à rede britânica a empresa classificou as críticas como um “importante aprendizado”, afirmando que estavam explorando como utilizar a IA de forma eficaz.
Tendência publicitária
A campanha foi produzida pela agência holandesa TBWA\Neboko em parceria com a produtora americana The Sweetshop. Nos últimos meses, o uso de inteligência artificial generativa em publicidade tornou-se uma tendência entre grandes marcas, especialmente em ações de fim de ano, como já ocorreu com a Coca-Cola.
No caso do McDonald’s, o vídeo buscava retratar situações que podem dar errado durante o período natalino e utilizava o slogan “a época mais terrível do ano”. A proposta, no entanto, não convenceu o público. Assim que o anúncio foi ao ar, espectadores criticaram a aparência estranha dos personagens e o excesso de cortes, descrevendo o resultado como assustador e mal editado.
Debate sobre uso de IA
Além da estética irregular, o vídeo reacendeu debates sobre distorções em conteúdos de IA generativa, já que produções mais longas tendem a exigir a montagem de vários trechos curtos. Como consequência, surgiram também preocupações sobre o impacto da tecnologia nas equipes criativas, com comentários lamentando a ausência de atores e profissionais de filmagem.
Após o vídeo ser colocado como privado, a diretora da The Sweetshop, Melanie Bridge, defendeu a produção e afirmou que o processo levou sete semanas e envolveu milhares de tomadas. Em nota à BBC News, o McDonald’s Holanda reiterou que a campanha buscava mostrar momentos estressantes do período natalino e que a retirada serviu como um aprendizado no uso de IA.
O caso ocorre enquanto grandes marcas aceleram campanhas criadas com ferramentas generativas. Embora anúncios como o da Coca-Cola tenham recebido avaliações positivas, outras empresas enfrentaram críticas pela estética artificial e pelo impacto percebido sobre profissionais criativos.