Heloisa Teixeira - Divulgação/Academia Brasileira de Letras (ABL)
Brasil

Morre Heloisa Teixeira, referência do feminismo e da literatura brasileira

Acadêmica da ABL faleceu no Rio de Janeiro aos 85 anos, vítima de complicações de pneumonia e insuficiência respiratória aguda

Gabriel Marin de Oliveira, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 28/03/2025, às 13h41

Faleceu nesta sexta-feira, 28, no Rio de Janeiro, a escritora, crítica literária e pesquisadora, Heloisa Teixeira, aos 85 anos. Heloisa estava internada na Casa de Saúde São Vicente, na Gávea, e morreu em decorrência de complicações de uma pneumonia e insuficiência respiratória aguda.

Heloisa era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde o ano passado, ocupando a cadeira 30, que antes pertencia a Nélida Piñon. Décima mulher a ser eleita para a ABL, ela foi uma importante pensadora do feminismo brasileiro, com trabalhos de destaque nas áreas de poesia, relações de gênero e étnicas, culturas marginalizadas e cultura digital.

Nascida em Ribeirão Preto, a paulista morava no Rio de Janeiro e havia recentemente decidido mudar seu sobrenome de casada, Buarque de Hollanda, para Teixeira, seu nome de solteira e sobrenome materno. Em entrevista ao jornal "O Globo", ela explicou que a mudança foi motivada por sua identificação com o feminismo.

Sim, é para mim [a mudança]. Tem uma hora que a ficha cai, principalmente, com a coisa feminista. De repente, falei: 'Caraca, tenho o nome do marido'".

Carreira

Com formação em Letras Clássicas pela PUC-Rio, mestrado e doutorado em Literatura Brasileira pela UFRJ e pós-doutorado em Sociologia da Cultura pela Universidade de Columbia, em Nova York, Heloisa Teixeira era diretora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC-Letras/UFRJ), onde coordenava projetos importantes como o Laboratório de Tecnologias Sociais e o Fórum M.

O seu trabalho se destacou pela relação entre cultura e desenvolvimento, tornando-se referência em diversas áreas e dedicando-se, nos últimos anos, à cultura das periferias, ao feminismo e ao impacto das novas tecnologias na produção e no consumo culturais.

Heloisa também dirigiu a Aeroplano Editora e Consultoria, a Editora UFRJ e o Museu da Imagem e do Som (MIS-RJ), além de ter comandado programas na TVE e na Rádio MEC e dirigido documentários. 

Ela também publicou diversos artigos e livros, com destaque para a coletânea "26 Poetas Hoje" (1976), que revelou poetas marginais e marcou a poesia brasileira.

Brasil Rio de Janeiro Literatura feminismo morte notícias referência complicações pneumonia Heloisa Teixeira

Leia também

Audible lança adaptação sonora de '1984' com grandes nomes da dramaturgia


Cinco anos após cesárea, mulher descobre compressa esquecida no abdômen


Igreja Católica denuncia comércio ilegal de relíquias de Carlo Acutis


IA pode afetar quase metade dos empregos em todo o mundo, alerta ONU


A previsão de Baba Vanga que teria se tornado realidade em 2025


Antigo hotel com fama de assombrado vai a leilão no Triângulo Mineiro