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Primeira eleição do Haiti em 10 anos é marcada para dezembro

Questões de segurança nacional adiaram a eleição do Haiti por 10 anos; Conselho Eleitoral marcou processo para dezembro deste ano

Fotografia de homem votando em eleição no Haiti em 2011
Fotografia de homem votando em eleição no Haiti em 2011 - Créditos: Getty Images

Nesta segunda-feira, 27 de Julho, o Conselho Eleitoral do Haiti marcou as primeiras eleições presidenciais do país em uma década. Marcado pela desigualdade, insegurança, perpetuação do crime organizado e facções nacionais, o Haiti deixou o processo de lado por 10 anos.

A eleição do Haiti havia sido marcada para agosto deste ano, mas questões de segurança nacional fizeram com que processo fosse adiado até dezembro. Assim, a perspectiva é que o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas do país ocorra no dia 13 de dezembro, com segundo turno marcado para 21 de fevereiro e contabilização oficial dia 7 de março.

Embora a ex-colônia francesa não tenha tido eleições, alguns líderes foram colocados no cargo presidencial nos primeiros 5 anos desde que as eleições foram adiadas, em 2016. Contudo, desde que Jovenel Moïse foi assassinado após adiar as eleições, nenhum outro assumiu o cargo.

A eleição do Haiti: barreiras e continuidades

Surpreendentemente, desde a época governos alegaram que conflitos entre as principais gangues armadas do país criou um clima de insegurança que não possibilitaria as eleições. Muitos analistas colocam que a perpetuação da desigualdade social e da situação de carência na região desde a época colonial é ponto de partida dos problemas atuais.

Em suma, a violência das gangues se perpetuam há anos e criam uma cadeia de escassez crônica de alimentos, extorsões, sequestros, deslocamentos forçados e demais problemas. De modo que no Haiti, cerca de 12% ainda vivem em acampamentos improvisados ou com famílias anfitriãs.

Ou seja, parte considerável dos eleitores ainda está sujeita a manipulação dos votos. Em resumo, grande parte das gangues armadas fazem parte da aliança Viv Ansanm, que assume controle de boa parte da capital, Porto Príncipe. Entretanto, recentemente as gangues também estão passando a ocupar os campos e as áreas rurais do Haiti.

Atualmente, o grupo é reconhecido como organização terrorista pelos Estados Unidos e é acusada de fazer sequestros, estupros, incêndios e assassinatos em massa. Ao mesmo tempo que tenta conquistar reconhecimento político dentro do Estado.

Conforme a Agência Brasil, muitos especialistas acusam que o Haiti não está apto para eleições. Até o momento, mais de 300 partidos foram autorizados a participar do próximo processo eleitoral. Não obstante, além de escolher os representantes, os eleitores deverão votar em emendas à Constituição.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: