NASA mostra ‘leque’ de rochas formado por choque de placas no Paquistão
Imagem do satélite Terra revela como o embate entre as placas Indiana e Eurasiática deformou a Cordilheira Sulaiman ao longo de milhões de anos

Uma imagem capturada pelo satélite Terra, da NASA, revelou detalhes de uma estrutura geológica impressionante na Cordilheira Sulaiman, localizada entre o Paquistão e o Afeganistão. Trata-se de um leque imbricado, uma formação de rochas dobradas que serve como registro visual de uma disputa tectônica iniciada há mais de 60 milhões de anos.
Esse fenômeno ocorreu devido ao encontro colossal entre as placas da Índia e da Eurásia, cujas forças de compressão moldaram a paisagem montanhosa da região. De acordo com o veículo Live Science, a estrutura fotografada se estende por dezenas de quilômetros e demonstra a força contínua da natureza.
Leque de rochas
Localizada perto da cidade de Murgha Kibzai, a formação consiste em faixas alternadas de arenito e calcário que foram deformadas juntas pelo movimento das placas. Na imagem de satélite, processada em cores falsas para facilitar a distinção científica, o arenito aparece em tons escuros, enquanto o calcário apresenta tonalidades mais claras.
Conforme dados do Observatório da Terra da NASA, essas rochas sedimentares foram empurradas para cima por falhas geológicas que surgiram conforme o limite entre as placas se movia para frente e para trás. A Cordilheira Sulaiman, cujo nome faz referência ao Rei Salomão, situa-se a uma altitude de aproximadamente 1.500 metros e é vizinha de gigantes como o Himalaia e o Karakoram.
Duelo de gigantes
A história dessa paisagem remonta ao período em que os dinossauros ainda dominavam o planeta. Há cerca de 80 milhões de anos, as massas de terra da Índia e da Eurásia entraram em rota de colisão, movendo-se a uma velocidade de 20 centímetros por ano, o dobro da rapidez das placas mais velozes da atualidade.
Quando o impacto começou efetivamente, há 60 milhões de anos, a crosta terrestre não afundou, mas se dobrou e foi elevada. Esse processo de deformação monumental deu origem às cordilheiras mais altas da Terra, moldando o relevo que hoje pode ser observado em detalhes a partir do espaço.
Compressão e rotação
O mecanismo que esculpiu o leque imbricado envolveu um movimento de rotação específico das placas tectônicas:
À medida que a Índia se movia para o norte, começou a girar no sentido anti-horário, empurrando a parte noroeste da placa indiana para trás, em direção a uma parte da placa eurasiática”, descreveram representantes do Observatório da Terra da NASA sobre o processo.

Essas forças contrárias submeteram as rochas a uma compressão singular, criando falhas que se curvam de maneiras complexas. Segundo o Live Science, embora a colisão tenha diminuído de velocidade há 30 milhões de anos, as placas ainda estão tecnicamente em choque, o que torna a região um ponto crítico para terremotos.
*Sob supervisão de Éric Moreira