Diretor de funerária entregou cinzas falsas a famílias por anos
Britânico admitiu 67 crimes, incluindo fraude, ocultação de corpos e entrega de cinzas de desconhecidos a parentes de pessoas falecidas

O diretor de funerária Robert Bush admitiu ter enganado dezenas de famílias ao entregar cinzas que não pertenciam aos seus entes queridos. Segundo o Tribunal da Coroa de Hull, na Inglaterra, ele confessou 67 crimes relacionados à administração da Legacy Independent Funeral Directors, incluindo fraude, roubo de doações beneficentes e violação do dever de proporcionar um sepultamento digno.
As investigações revelaram que Bush manteve 31 corpos em decomposição nas instalações da funerária enquanto informava aos familiares que eles já haviam sido cremados. Em seguida, entregava cinzas pertencentes a outras pessoas, levando muitas famílias a realizar funerais, homenagens e até produzir joias memoriais com restos mortais incorretos.
Farsa das cinzas
Entre os casos mais traumáticos está o de quatro mulheres que receberam supostas cinzas de seus bebês após perdas gestacionais. Registros hospitalares demonstraram que, em pelo menos um episódio, os restos mortais da criança sequer haviam sido recolhidos pela funerária quando as cinzas foram entregues à família. Em outro caso, o corpo de um bebê natimorto foi encontrado dentro de um saco de papel nas dependências do estabelecimento quase dois anos após o parto.
Os crimes vieram à tona de forma inesperada. Durante uma viagem de Bush aos Estados Unidos, dois diretores de outra funerária foram chamados para auxiliá-lo em um serviço. Ao entrarem na unidade da Legacy, encontraram corpos sem cobertura, em diferentes estágios de decomposição, além de um feto humano armazenado de maneira inadequada. A polícia foi acionada imediatamente.
Segundo a acusação, Bush fraudou famílias ligadas a pelo menos 57 pessoas entre 2017 e 2024. Em 46 casos, cinzas incorretas foram entregues aos parentes; em outros 11, nenhuma urna jamais foi devolvida. A ausência de registros confiáveis dificultou a identificação das vítimas e obrigou algumas famílias a aguardar semanas por testes de DNA para localizar os restos mortais de seus parentes.