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Reflexos das penas de aves é técnica evolutiva para temperaturas extremas, diz estudo

Novo estudo revela que capacidade das penas das aves de refletir radiação solar é técnica evolutiva que possibilita viver em temperaturas extremas

Foto ilustrativa de periquito sob luz ultravioleta e revelando cores invisíveis
Foto ilustrativa de periquito sob luz ultravioleta e revelando cores invisíveis - Créditos: Getty Images

Mesmo em uma mesma classe, as aves podem ocupar os mais diversos lugares no globo, encarando temperaturas extremas diariamente. De pinguins que vivem sob as temperaturas congelantes do polo até araras que vivem na região da Linha do Equador, ambas são aves e que apresentam características que possibilitam estar nesses locais.

Mas mais que camadas de penas, cientistas descobriram que há detalhes nas penas que podem transformar essa percepção. De acordo com pesquisadores da Universidade Sun Yat-sen, na China, no caso de pássaros de zonas frias, as penas são adaptadas para absorver mais energia solar. Enquanto que em zonas quentes, para refleti-la.

Mas mais que as cores das penas, os pássaros estão adaptados para absorver ou refletir ondas solares da luz visível e invisível. Inclusive, se adaptando para lidar com a radiação infravermelha próxima (NIR), luz invisível com comprimentos de onda mais longos entre 700 e 2.500 nanômetros.

As penas e suas adaptações para temperaturas extremas

De acordo com o artigo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, as aves que refletem mais a radiação NIR absorvem menos calor solar, o que ajuda pássaros de climas quentes a se manterem frescos sem mudar a aparência.

Assim, para calcular a reflectância dos animais, os pesquisadores passaram a emitir essas ondas sobre as penas e calcular quanto delas é absorvida ou não. Liang Ma, coautor sênior do artigo, a revista Phys, disse:

Nosso grupo de pesquisa usa modelos biofísicos para entender como os animais trocam calor com seus ambientes e como eles podem responder às mudanças climáticas. […] Para as aves, a refletância da plumagem é uma parte importante dessa troca de calor, porque determina a quantidade de radiação solar é absorvida e convertida em calor. No entanto, a maioria das pesquisas anteriores se concentrou em comprimentos de onda visíveis, em grande parte porque a coloração visível é importante para sinalização, camuflagem e comunicação.”

Surpreendentemente, a radiação NIR é responsável por 55% da energia do sol que atinge a plumagem das aves. Atualmente os pesquisadores coletaram medições de 1.980 espécimes de aves pertencentes a um total de 439 espécies diferentes. Embora os números totais sejam pequenos, os resultados animam os pesquisadores.

Pois ainda que o valores sejam pequenos, até o momento os os retirados revelam que a temperatura local geralmente reflete diretamente na plumagem. Liang Ma destacou:

Para cada espécime, amostramos seis regiões de plumagem: a nuca, o manto, a garupa, o seio, o ventre e a asa.”

Os resultados das análises da equipe sugerem que a refletância visível e NIR estão fortemente relacionadas entre diferentes espécies de aves. No entanto que, apenas a refletância visível foi capaz de explicar aproximadamente dois terços da variação na reflectância NIR das aves consideradas. Disse Ma:

Isso significa que os dados visíveis podem fornecer um ponto de partida útil para estimar as propriedades do infravermelho próximo das espécies para as quais as medições diretas não estão disponíveis. […] No entanto, também descobrimos que não existe uma regra de conversão única que funcione igualmente bem para todas as aves. A relação diferia substancialmente entre as ordens. Mesmo depois de contabilizar a coloração visível, alguns grupos tiveram consistentemente maior ou menor refletância no infravermelho próximo do que outros.”

Ou seja, mesmo que as penas sejam da mesma cor, como azul, elas podem ser largamente diferentes termicamente sob a luz solar. Na verdade, essa relação está muito mais ligada ao ambiente que o animal geralmente vive.

De acordo com os cientistas, se encontrarem um método de calcular e prever esses dados, será possível conceber o que vai acontecer com as variadas espécies de aves com as mudanças climáticas. No momento, os pesquisadores pretendem ampliar a base de dados, principalmente de animais que vivem em temperaturas extremas e climas tropicais.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: