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Novo estudo de restos mortais maias revelam forte dependência do milho

Análise dos isótopos de restos mortais maias revelaram que comunidades longe dos centros dependiam ainda mais da alimentação do milho para viver

Folhas de livro espanhol do começo do século 16 representando astecas coletando e se alimentando de milho
Folhas de livro espanhol do começo do século 16 representando astecas coletando e se alimentando de milho - Créditos: Getty Images

Há muito tempo os arqueólogos e historiadores sabem que o milho era uma das principais fontes de alimento dos maias. Contudo, um novo grupo de pesquisadores decidiram analisar os isótopos de ossos maias de zonas periféricas para conferir como era a dieta da época.

Diferente da maioria dos estudos, que focam nas grandes cidades e grandes enterros maias, o estudo publicado na revista PLOS One, estuda os resquícios de alimentos presos aos dentes de maias que sobreviveram ao tempo. As descobertas apontam para uma sociedade ainda mais dependente do milho.

Os ossos maias e suas revelações

De acordo com o estudo, os ossos analisados são todos do período Maia Clássico e de comunidades menores do sudeste de Petén. Assim, poderiam analisar a alimentação das comunidades periféricas da população maia e contemplar o que a compunha.

Acontece que, ao se alimentar, camadas de carbono e nitrogênio se prendem aos ossos e dentes. Dessa forma, esses elementos microscópicos que se integram ao tecido permite os cientistas rastrearem os tipos de plantas, carne, recursos marinhos e minerais regionais.

Estudos antigos já haviam revelado a importância do milho nas comunidades centrais, mas os ossos maias utilizados eram todos de centros habitacionais e imperiais. Por isso, os pesquisadores decidiram focar na nova localidade, sobre o assunto destacaram:

Nas últimas três décadas, a análise estável de isótopos tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para reconstruir dietas antigas; no entanto, seu poder interpretativo depende de uma integração robusta dentro de contextos arqueológicos e bioarqueológicos. Neste estudo, analisamos dados isotópicos do colágeno ósseo humano e do esmalte dentário ao lado de dados arqueológicos e biovitais detalhados para entender melhor as antigas vias alimentares na área sudeste de Petén e suas subcorrentes regionais socioculturais.”

Nesse sentido, foram analisadas assinaturas de isótopos em 57 restos maias. O que descobriram é que, semelhante aos grandes centros maias como Tikal, Calakmul e Caracol, as pessoas no sudeste de Petén dependiam muito do milho. 

No entanto, suas dietas também incluíam outras plantas e animais terrestres, incluindo animais que se alimentavam em campos de milho ou eram criados com milho, como veados, queixadas, cães e perus. Destacaram:

Dietas na zona montanhosa parecem ser mais fortemente à base de milho, enquanto as da savana incluem proteína animal ligeiramente mais alta em tróficas. Esses padrões podem refletir a disponibilidade de recursos de água doce, como peixes, caracóis e répteis, nos rios e lagos das savanas. Coletivamente, esses padrões destacam a capacidade agrícola das comunidades do sudeste de Petén e sua flexibilidade em suplementar a subsistência à base de milho com uma gama de recursos locais.”

Inclusive, crianças apresentaram maior variação, o que pode indicar que a inserção do milho na dieta ocorria conforme o desmame. Fato é que nessas comunidades periféricas havia maior dependência do milho o que a alta elite maia nos centros urbanos.

De acordo com a revista Phys, os pesquisadores escreveram: “Evidências isotópicas e contextuais do sudeste de Petén retratam uma população que equilibrou a intensificação agrícola com adaptações ecológicas locais. O milho permaneceu a pedra fundamental nutricional e simbólica da vida; no entanto, seu consumo foi incorporado a sistemas alimentares flexíveis e específicos da comunidade que sofreram convulsões sociais e ambientais.”


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: