Molde de estatueta do Primeiro Templo é achado em Jerusalém
Molde raro de argila encontrado em Jerusalém confirma que estatuetas do período do Primeiro Templo eram produzidas localmente; entenda!

Um raro molde de argila utilizado na fabricação de estatuetas femininas durante o período do Primeiro Templo foi descoberto em Jerusalém e oferece a primeira evidência direta de que esse tipo de objeto era produzido dentro da cidade antiga. Segundo arqueólogos, a descoberta reforça a hipótese de que parte dessas peças não chegava por meio do comércio, mas era confeccionada em oficinas locais.
O artefato foi encontrado durante escavações no sítio arqueológico de Kishle, localizado nas dependências do Museu da Torre de Davi, em Jerusalém. A descoberta foi feita por arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel enquanto trabalhadores peneiravam sedimentos provenientes de camadas datadas do período do Primeiro Templo. As escavações integram as obras da futura Ala Schulich do museu, voltada à arqueologia, arte e inovação.
Embora estatuetas de barro desse período já tenham sido encontradas em diferentes escavações realizadas em Jerusalém e no antigo Reino de Judá, nenhum molde de produção havia sido identificado anteriormente na cidade. A ausência desse tipo de evidência alimentava dúvidas sobre o local onde esses objetos eram fabricados.
Conservação e trabalhos
Após ser encaminhado ao laboratório de conservação, o molde passou por um cuidadoso processo de limpeza conduzido pela conservadora de cerâmica Tamar Gonen, que removeu os sedimentos grão por grão. O trabalho revelou detalhes preservados na superfície da argila.
Em seguida, o conservador Sviatoslav Klindukhov produziu uma réplica da peça, permitindo visualizar o rosto completo de uma figura feminina, com traços faciais bem definidos e um penteado encaracolado elaborado.
Os pesquisadores atribuem o molde ao final do período do Primeiro Templo, entre os séculos 8 e 6 a.C. Na época, as estatuetas costumavam medir entre 10 e 20 centímetros de altura.
O processo de fabricação consistia em moldar manualmente o corpo da figura, enquanto o rosto era produzido com o auxílio de moldes como o recém-descoberto. Depois, ambas as partes eram unidas antes da queima da argila. Muitos exemplares encontrados em escavações apresentam o pescoço quebrado justamente porque cabeça e corpo eram confeccionados separadamente.

Produção local
De acordo com a Autoridade de Antiguidades de Israel, a descoberta comprova que pelo menos parte dessas estatuetas era produzida em Jerusalém. Até então, essa hipótese não contava com qualquer confirmação física.
Os arqueólogos classificam as estatuetas do período do Primeiro Templo em três grupos principais. O mais conhecido reúne as figuras femininas, frequentemente identificadas como Estatuetas da Coluna da Judeia. Essas peças costumam apresentar penteados elaborados e as mãos posicionadas logo abaixo dos seios.
Os outros grupos são compostos por figuras de cavaleiros montados em cavalos e por estatuetas de animais, principalmente cavalos. Muitas dessas peças recebiam uma camada branca antes de serem pintadas com tons de amarelo, vermelho e preto.
O significado dessas estatuetas continua sendo debatido pelos especialistas. Como exemplares já foram encontrados em residências, ruas e tumbas, acredita-se que fossem utilizados no cotidiano. Alguns estudiosos relacionam as figuras femininas ao culto da deusa Aserá e a práticas ligadas à fertilidade.
Outras interpretações apontam que elas funcionavam como amuletos domésticos destinados à proteção ou à boa sorte. Também existe a hipótese de que algumas fossem brinquedos infantis, repercute o Archaeology News.
Além de confirmar a produção local, o molde recém-descoberto poderá ajudar os pesquisadores a comparar características de outras estatuetas encontradas em Jerusalém. Essa análise poderá identificar oficinas específicas e oferecer novas informações sobre a evolução da produção artesanal ao longo do período do Primeiro Templo.