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Nova exposição em Pompeia mostra moldes de vítimas do Vesúvio

Nova exposição reúne 22 moldes que preservam os últimos momentos das vítimas da erupção do Monte Vesúvio, tragédia que destruiu Pompeia em 79 d.C.

Molda de vítima de Pompeia / Crédito: Divulgação/Parque Arqueológico de Pompeia

Uma nova exposição permanente no Parque Arqueológico de Pompeia, na Itália, reúne moldes de gesso que preservam os momentos finais de vítimas da erupção do Monte Vesúvio, ocorrida em 79 d.C. A mostra apresenta 22 exemplares considerados entre os mais bem preservados já produzidos, oferecendo um retrato direto da tragédia que destruiu a antiga cidade romana.

Os moldes fazem parte de um conjunto mais amplo de réplicas criadas desde 1863 por arqueólogos. Ao todo, mais de 100 peças foram produzidas ao longo das últimas décadas, utilizando uma técnica que permite reconstruir a posição e até expressões das vítimas no momento da morte. Na exposição atual, os visitantes podem observar figuras em diferentes posturas — deitadas, sentadas ou encolhidas —, incluindo o que parece ser o corpo de uma criança.

A erupção do Vesúvio cobriu Pompeia com uma espessa camada de cinzas e materiais vulcânicos, preservando estruturas, objetos e até formas humanas ao longo dos séculos. Estima-se que cerca de 2.000 pessoas tenham morrido na cidade, embora o número exato permaneça desconhecido. Muitas vítimas ficaram presas em casas e abrigos devido à queda de pedra-pomes e rochas, enquanto telhados desabavam sob o peso dos detritos. Segundo cientistas, grande parte das mortes ocorreu de forma rápida, em questão de minutos.

O impacto da erupção não se limitou a Pompeia. Cidades vizinhas, como Herculano, também foram atingidas, e estima-se que até 16.000 pessoas tenham morrido em toda a região afetada pelo desastre.

Detalhes da exposição

Durante a inauguração da exposição, o diretor do parque, Gabriel Zuchtriegel, destacou o caráter histórico e humano da mostra. “Queremos contar a história de uma tragédia que destruiu uma cidade, o maior desastre natural da antiguidade, mas que também nos deixou um tesouro arqueológico e histórico”, afirmou, segundo o jornal London Times.

A criação dos moldes remonta ao trabalho do arqueólogo italiano Giuseppe Fiorelli, que desenvolveu o método em 1863. A técnica consiste em preencher com gesso líquido as cavidades deixadas pelos corpos decompostos no interior das camadas de cinzas. Ao endurecer, o material reproduz com precisão não apenas a posição final das vítimas, mas também detalhes como expressões faciais.

Com o avanço tecnológico, os moldes passaram a fornecer ainda mais informações. Segundo a arqueóloga Silvia Martina Bertesago, é possível extrair dados sobre as vítimas por meio de análises modernas. “[Os moldes] têm um forte impacto emocional nos visitantes e podem ser muito comoventes”, disse ela à Associated Press, acrescentando: “Por meio das análises que podemos realizar hoje com técnicas cada vez mais avançadas, também podemos entender a idade e o sexo das pessoas, mas também se elas tinham doenças específicas ou tipos particulares de dieta.”

A exposição foi aberta ao público em 12 de março e busca apresentar o evento de forma sensível e informativa. O ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, elogiou a abordagem adotada, destacando a representação respeitosa das vítimas e de suas histórias, segundo comunicado.

Além dos moldes humanos, a mostra também inclui vestígios de plantas e animais preservados pela erupção, ampliando a compreensão sobre o impacto do evento na vida cotidiana da cidade. Entre os itens expostos estão a carapaça de uma tartaruga e partes de árvores, mantidas sob proteção em vitrines.

Para arqueólogos que trabalham há anos em Pompeia, o contato com essas representações continua sendo marcante. “Trabalho em Pompeia há mais de 20 anos e nunca vou me livrar do impacto emocional dessas réplicas, que retratam dor e morte”, afirmou a arqueóloga Tiziana Rocco ao London Times.

Antes da erupção, Pompeia era uma cidade próspera do Império Romano. Após o desastre, no entanto, muitos sobreviventes não tiveram condições de reconstruir suas vidas em outro local. Um estudo recente indica que parte da população pode ter retornado à área posteriormente, estabelecendo-se novamente entre as ruínas, repercute a Smithsonian Magazine.

De acordo com Zuchtriegel, o principal objetivo da nova exposição é ajudar o público a compreender a dimensão do que ocorreu. Ele afirmou que a iniciativa busca “entender o que realmente aconteceu em Pompeia” e acrescentou que os curadores pretendem “dar dignidade a essas pessoas que são como nós — mulheres, crianças, homens — que morreram durante a erupção, mas ao mesmo tempo tornar o ocorrido compreensível”.

A mostra reforça o papel de Pompeia como um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo, onde a combinação entre tragédia e preservação histórica continua a oferecer novas perspectivas sobre a vida — e a morte — na Antiguidade.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.