Iceberg encalha perto de colônia de pinguins e derruba em 69% número de filhotes
Segundo pesquisadores, um único iceberg teria sido suficiente para reduzir em mais da metade o número de filhotes nascidos em uma colônia de pinguins-imperadores

Segundo um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Polares da Coreia (Kopri, na sigla em inglês) e publicado na revista Communications Earth & Environment nesta quinta-feira, 23, um único iceberg teria sido suficiente para que o número de filhotes nascidos em uma das maiores colônias de pinguins-imperadores da Antártida despencasse.
A pesquisa acompanhou a colônia da Ilha Coulman, no Mar de Ross, durante a temporada reprodutiva de 2025. Os cientistas registraram 6.658 filhotes vivos entre novembro e dezembro do ano passado, o menor total desde o início dos censos, em 1983. O resultado representa uma redução de aproximadamente 69% em relação a 2024 e também à média histórica da colônia, que costuma superar 21 mil filhotes por temporada.
Os autores do estudo destacam que a queda não parece ter sido provocada pela diminuição do gelo marinho, fator frequentemente associado ao fracasso reprodutivo do pinguim-imperador. Afinal, naquele ano, as condições do gelo foram consideradas normais para a região.
O que dizem os pesquisadores
Conforme informações do portal g1, a principal hipótese levantada pela equipe é que um enorme iceberg com cerca de 13,9 quilômetros de comprimento por 4 quilômetros de largura tenha interrompido a rota utilizada pelos adultos para alcançar o mar e retornar com alimento para os filhotes.
O blogo se desprendeu da Plataforma de Gelo Nansen, a centenas de quilômetros da Ilha Coulman, em março de 2025 e, nos meses seguintes, foi transportado pelas correntes oceânicas até encalhar ao lado da colônia em 28 de julho, justamente no período em que os ovos começavam a eclodir e os filhotes recém-nascidos passavam a depender da alimentação trazida pelos pais.
Com o iceberg posicionado entre a colônia e o mar aberto, os pinguins foram obrigados a percorrer distâncias maiores para chegar às áreas de alimentação. Dados obtidos por imagens de satélite e sobrevoos mostraram que o trajeto entre a colônia e as águas abertas aumentou de cerca de 9,3 quilômetros em 2024 para aproximadamente 14,9 quilômetros em 2025.
Os pesquisadores acreditam, porém, que o percurso real tenha sido ainda mais longo, já que as aves precisavam contornar o obstáculo. Enquanto o lado do iceberg voltado para o mar apresentava uma inclinação relativamente suave, o lado voltado para a colônia formava uma parede de gelo com mais de 20 metros de altura, praticamente impossível de ser transposta pelos pinguins. Existia apenas uma passagem estreita, com cerca de um quilômetro de largura, na lateral leste do bloco, mas ela exigia um grande desvio.
Possível impacto
De acordo com a fonte, esse aumento no tempo de deslocamento pode ter sido especialmente prejudicial para os filhotes nas primeiras semanas de vida, uma vez que, nessa fase, eles contam com poucas reservas de energia e dependem de visitas frequentes dos pais trazendo alimento do mar. Infelizmente, enquanto realizavam as expedições de campo, os pesquisadores se depararam com diversas carcaças de filhotes.
Apesar do cenário alarmante, os autores ressaltam que o estudo se refere apenas a uma temporada reprodutiva e que ele não estabelece uma relação de causa e efeito definitiva entre o encalhe do iceberg e a redução no número de filhotes.
Os pesquisadores lembram ainda que situações semelhantes já foram registradas em outras colônias da Antártida, como Cape Crozier e a Ilha Beaufort, onde icebergs gigantes bloquearam rotas de acesso ao mar durante longos períodos. No caso da Ilha Coulman, contudo, o bloco de gelo voltou a se mover em janeiro de 2026. Por isso, os cientistas acreditam que o impacto provavelmente será temporário.