Mais de 500 estatuetas são encontradas em antiga necrópole egípcia
Estatuetas e rituais funerários foram descobertos durante escavações na necrópole de Tell Athar Quesna, na Governadoria de Menoufia, no Egito

Um complexo funerário descoberto na necrópole de Tell Athar Quesna, na Governadoria de Menoufia, no Egito, revelou dezenas de sepultamentos, objetos rituais e artefatos importados impressionantes que podem ajudar arqueólogos a compreender como os antigos egípcios preparavam seus mortos para a vida após a morte, bem como suas crenças e as conexões comerciais do país com o Mediterrâneo oriental durante o Período Tardio e a era greco-romana.
De acordo com o portal Archaeology News, a descoberta foi feita por uma missão egípcia do Conselho Supremo de Antiguidades, que trabalha em um dos maiores cemitérios privados do delta central do rio Nilo.
Complexo funerário
Os pesquisadores identificaram na região um complexo funerário construído de maneira planejada. A estrutura possui um salão principal que dá acesso a diversas câmaras mortuárias por meio de entradas em arco. Embora a cobertura dessas áreas tenha desaparecido ao longo dos séculos, partes das passagens permanecem preservadas, o que permite aos especialistas reconstruir a arquitetura original do monumento.
No interior do complexo a equipe se deparou com diversos sepultamentos e notou que muitos dos indivíduos estavam posicionados na chamada postura osiriana, uma prática associada ao deus Osíris, divindade ligada ao renascimento e à vida após a morte na religião do Egito Antigo. Os profissionais destacaram que os esqueletos apresentavam diferentes níveis de conservação, o que seria reflexo das condições variadas de preservação do sítio arqueológico.
Uma câmaras em particular chamou a atenção por abrigar dois conjuntos de estatuetas funerárias de faiança (um tipo de cerâmica) conhecidas como ushabtis. Ao todo, os arqueólogos contabilizaram 560 peças de tamanhos e estilos distintos, todas representando a tradicional forma osiriana. Algumas delas trazem inscrições inspiradas no Livro dos Mortos, coleção de fórmulas e encantamentos que acompanhava os falecidos para protegê-los durante a jornada no além.

Além das estatuetas, a equipe encontrou diversos amuletos confeccionados com pedras, entre os quais estavam representações do Olho de Hórus, do Tyet — também chamado de Nó de Ísis —, assim como amuletos em forma de dedos e pequenas figuras de diferentes divindades egípcias. Era costume colocar esses objetos junto aos mortos.
Outros itens encontrados
A escavação também revelou um conjunto de cerâmicas, com pratos, jarros, recipientes de armazenamento, além de duas lamparinas a óleo. Os pesquisadores destacaram que um dos vasos ainda preservava resíduos de uma substância possivelmente utilizada durante o processo de mumificação ou em cerimônias funerárias. Outro destaque da descoberta foi a grande quantidade de contas de faiança nas cores azul e verde, que, acreditam os pesquisadores, teriam sido parte de uma rede funerária ou uma cobertura colocada sobre um dos corpos enterrados.
As evidências de comércio internacional também apareceram entre os objetos encontrados. Os arqueólogos identificaram fragmentos de cerâmica importados da ilha grega de Rodes, incluindo parte da alça de um recipiente que preserva o nome de seu fabricante. Esses materiais reforçam a existência de rotas comerciais entre o Egito e outras regiões do Mediterrâneo durante os períodos analisados.
Os especialistas ainda registraram um enterro incomum: um indivíduo teria sido sepultado com placas de cerâmica posicionadas sob os dois braços e outra entre as coxas. Alguns desses recipientes, inclusive, continham vestígios de substâncias relacionadas aos rituais de sepultamento. Agora resta à equipe buscar entender o significado dessa prática e se ela era exclusiva daquele cemitério ou fazia parte de uma tradição mais ampla.